Após um único dia de trégua, Minas Gerais voltou a ser alvo de ataques a ônibus. Desta vez, o coletivo incendiado foi em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com o caso, conforme a Polícia Militar, o número de coletivos atacados por criminosos saltou para 67. 

Desde o dia 3 de junho, quando teve início a onda de violência no Estado, foram registradas ocorrências deste gênero em 40 cidades. Balanço da PM revela que, até esta quarta-feira (13), 90 pessoas foram conduzidas e 26 menores apreendidos suspeitos de participação nos crimes.

O último ataque aconteceu por volta das 23h30 na rua Bicudos, altura do número 213, no bairro Novo Horizonte. O motorista do ônibus da linha 5630 (Jardim Bela Vista/Terminal Morro Alto) contou que dois jovens de aproximadamente 16 anos entraram no terminal do Move com dois galões de gasolina. Depois de ameaçar o condutor e os passageiros, a dupla exigiu que o veículo fosse evacuado. Na sequência, os infratores derramaram o líquido inflamável e atearam fogo no coletivo.

Antes de fugir, porém, eles deixaram um bilhete com o motorista. Conforme a Polícia Militar, a mensagem dizia que o ataque ocorreu para reivindicar melhorias no tratamento prestado aos detentos do Presídio de São Joaquim de Bicas II, na Grande BH. A PM foi acionada logo depois da ocorrência e chegou ao local quando o ônibus ainda estava em chamas.

O veículo foi destruído, mas ninguém se feriu. Rastreamento foi realizado na região, mas os infratores não foram localizados e detidos. O caso foi registrado na Delegacia de Plantão de Vespasiano e o caso será investigado pela Polícia Civil.

A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) afirma que as investigações sobre o caso estão por conta da Polícia Civil. Todas as denúncias devidamente formalizadas na Seap são apuradas nos termos da lei.

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Últimos casos

Na madrugada do último domingo (10), quatro homens foram presos no bairro São Jorge, em Betim, na Grande BH, quando estavam prontos para atear fogo em um ônibus da linha 3850 (Citrolândia/Belo Horizonte). Um bilhete foi encontrado na mochila de um dos suspeitos com os seguintes dizeres: "Enquanto não tiver um sistema digno, vai haver incêndio". No dia anterior, um carro de passeio estacionado em uma rua de Uberaba, no Triângulo Mineiro, foi incendiado. Os suspeitos teriam ainda quebrado os vidros do veículo.

Na sexta (8), uma operação conjunta das forças de segurança em Uberlândia confirmou a atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. A investigação é feita pela Polícia Federal (PF) em conjunto com os serviços de inteligência das corporações Militar e Civil. 

Em nota enviada na semana passada, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que equipes da Polícia Civil atuam para desvendar os casos e que policiais militares estão à paisana nos coletivos e pontos de ônibus para conter ações e identificar suspeitos.

A Secretaria de Administração Prisional também avalia a possibilidade de transferência de presos.