Doença que acomete 14 milhões de brasileiros, o diabetes pode trazer complicações já conhecidas como cegueira e amputação de membros, mas esconde um risco silencioso: as doenças cardiovasculares. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Ibope mostrou que menos da metade dos 600 entrevistados (42%) citou as doenças cardíacas como consequência mais relevante. 

A falta de informação traz um alerta. Segundo a vice-presidente da SBD, Reine Marie Chaves, o medo de ficar incapacitado pela doença é mais aparente e desperta maior receio da população, mesmo que o infarto seja mais letal. “É possível ter um infarto sem dor. Boa parte dos infartados só descobre ser diabético no momento em que apresenta complicações”.

Diretor da Sociedade Mineira de Cardiologia, Carlos Henrique de Carvalho menciona que os problemas derivados do diabetes não são restritos ao coração. Como a doença acomete todas as artérias e veias de modo geral e prejudica a irrigação dos órgãos, o paciente ainda pode ter complicações neurológicas. “As artérias carótidas se entopem com facilidade. O mesmo mecanismo que causa o infarto também pode levar a um AVC”.

Diagnóstico

Segundo Carlos Henrique, alguns sinais podem ajudar a identificar a doença logo no início. Urinar em excesso, beber muito líquido repentinamente, apresentar visão embaçada e alterações no apetite devem despertar a atenção. Quando há casos na família, o cuidado deve ser redobrado. “O diagnóstico preciso é obtido por exames laboratoriais. Quanto mais cedo se descobre a doença, maior a chance de controlá-la sem uso de medicamentos pesados ou insulina”.

Portador de diabetes do tipo 1, o dentista Geraldo Durães, de 61 anos, só conseguiu ter vida com menos restrições graças ao diagnóstico precoce. Com mãe e irmão diabéticos e acostumado a jogar futebol com os amigos aos fins de semana, ele fazia acompanhamento regular com uma cardiologista. Há nove anos, a médica recomendou ao dentista procurar um endocrinologista.

Depois de diagnosticado, Geraldo passou a fazer uso da metformina, medicação mais fraca que a insulina. Hoje, controla a doença com dieta equilibrada e caminhadas. As filhas dele, de 14 e 21 anos, já fazem acompanhamento regular. “Quero evitar que elas precisem ter uma rotina alterada por conta de uma doença que pode ser evitada”, diz.

Tratamento passa por identificação e controle

Endocrinologista e professor da UFMG, Rodrigo Bastos compara o diabetes a uma barra de ferro exposta a ação de ferrugem. “O desenvolvimento é lento. Às vezes, a alteração da glicose só vai trazer efeitos significativos depois de 10, 15 anos. Por isso, todo mundo, independentemente de ter ou não diabetes, deve manter hábitos saudáveis e diminuir as chances de desenvolver a doença”.  

De acordo com o médico, o tratamento começa no momento do diagnóstico e dura a vida toda. É importante reduzir o consumo de carboidratos – abundantes no pãozinho, arroz e macarrão, por exemplo.

O ideal, completa, é aumentar a presença de frutas e hortaliças na alimentação, além da prática de atividades físicas na rotina.

Grávidas

No caso de gestantes, Rodrigo ainda alerta: elas podem desenvolver o diabetes gestacional. A doença só pode ser identificada via exame próprio realizado entre a 20ª e a 24ª semanas, durante o pré-natal.

“A criança nasce maior e os níveis de glicemia voltam ao normal depois da gravidez, mas o bebê pode ter chances maiores de desenvolver diabetes ao longo da vida. Se ela desenvolver, o ideal é controlar a alimentação dessa criança desde muito cedo e estimular a prática de esportes para reduzir riscos”, aconselha o especialista.

Diabetes