Quem já tem que lidar com todas as dificuldades de um tratamento contra o câncer, agora tem que enfrentar o temor de problemas com o atendimento na rede pública. Dos quatro hospitais de Belo Horizonte que atendem pacientes da capital e de outros municípios mineiros que precisam de radioterapia, dois estão com os equipamentos parados. Apesar da grande demanda, e das consequências que essa situação pode trazer, não há previsão de quando os aparelhos poderão ser usados novamente.

Na Santa Casa, que possui um acelerador linear para sessões de radioterapia, todo o atendimento foi suspenso há mais de um mês. O hospital informou que o equipamento está com problema e técnicos especializados trabalham para resolver a situação. “Os pacientes que necessitaram de atendimento, neste período, foram encaminhados a outros serviços de oncologia credenciados pelo SUS”, ressaltou a Santa Casa em nota.

Porém, os pacientes parecem não terem sido orientados sobre essa dinâmica de encaminhamento para outras unidades. O motorista Aldenor Souza Santos, de 54 anos, deveria ter começado as sessões de radioterapia na Santa Casa no mês passado para tratar um câncer na garganta. Mas, enquanto o equipamento fica inoperante, o paciente está fazendo quimioterapia sem saber quando e onde poderá fazer o outro tratamento. 

“Fomos avisados para procurar o PAM Padre Eustáquio e lá nos disseram que o tratamento é mesmo na Santa Casa. Esperamos uma definição e não temos o que fazer. Espero que isso seja resolvido logo. A saúde dele está bem debilitada”, conta a aposentada Celina Maria dos Santos Pereira, de 68 anos, de quem Aldenor é enteado.

Outro hospital que teve o atendimento afetado é o São Francisco. Dos dois aparelhos, apenas um funciona. Questionada sobre os impactos desse problema para quem precisa das sessões, a administração disse que não iria se pronunciar e afirmou apenas que “o equipamento já está em manutenção e voltará a funcionar em breve”.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que, diante dos problemas enfrentados pelos prestadores do serviço, definiu com os hospitais Luxemburgo, São Francisco e da Baleia a ampliação da oferta para os pacientes, seja estendendo horário de funcionamento ou atendendo aos finais de semana.

Acelerador linear no Hospital da Baleia
ACELERADOR LINEAR – Modelo de aparelho que faz radioterapia em pacientes no Hospital da Baleia

No Hospital da Baleia, o número de atendimentos para radioterapia passou de 120 para 160 por dia. As sessões, que antes iam das 7h às 20h, agora vão das 6h às 23h. Já o São Francisco disse que não está trabalhando com horários estendidos, como informado pela prefeitura.

Ainda de acordo com a SMSA, 432 pessoas estavam em tratamento de radioterapia pelo SUS-BH no mês passado. O número de pacientes que entram na fila para tratamento oncológico é dinâmico e os casos são monitorados. Os mais graves são priorizados. “Todos os pacientes que ainda não iniciaram tratamento estão dentro do prazo de 60 dias estipulado pela Lei 12.732/12”, afirma a nota da secretaria.

Ministro visita hospitais no Estado

Em rápida passagem por Minas Gerais, onde visitou cinco hospitais, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que não há colapso na área no Brasil, mas reconheceu que o orçamento é curto. “Há, sim, uma necessidade de mais recursos. Acontece que as pessoas têm um limite para o pagamento de imposto. A sociedade têm uma capacidade contributiva limitada. Portanto, o orçamento é limitado, e a capacidade de orçamento é limitada”. 

No último dia 6, o governo federal anunciou que contribuirá com R$ 15 milhões mensais para a manutenção de parte do Hospital do Barreiro, em Belo Horizonte. O ministro disse que avalia a possibilidade de mais verba, e busca formas de contribuir na complementação do custeio. “Vamos funcionar 80 leitos e buscar mais recursos para que possamos ter a totalidade desse hospital operando. Não estamos em um momento fácil, com dificuldade de orçamento. Mas vamos buscar isso o mais rápido possível”.

Segundo Barros, em dois meses o repasse para a unidade de saúde já estará disponível. “Viemos conhecer essa boa iniciativa, parabenizar a parceria. E estou sensibilizado para conversar com a área econômica do governo”, garantiu. Já o prefeito Marcio Lacerda afirmou que espera ter o hospital funcionando em plenitude até o fim do próximo ano.

(Com Bruno Moreno)