Vida pacata e sedentária que nada! Idosas, cada vez mais cheias de saúde e disposição, trocam os hábitos da terceira idade de “antigamente”, quando a rotina era em cadeiras de balanço ou no sofá, diante de uma TV, por preencher o tempo com mais movimento e novos planos.

Algumas, depois de formalmente aposentadas, continuam suas atividades profissionais e físicas e vão além, investem tempo em voluntariado. Especialistas acreditam nessas ações como uma forma de manter pensamentos positivos e a oportunidade de a idosa construir o presente, pensar no futuro, sem olhar para o passado.


Carinho

É o que faz um grupo de dez senhoras por meio de uma atividade desenvolvida pelo programa “Sesc mais Grupos”. Com carinho de avó e habilidade indescritível, elas ensinam, uma vez por semana, tricô e crochê para um grupo de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Reeducação Social São Jerônimo, no bairro Horto, em Belo Horizonte. Ensinar outros tipos de artesanato, como bijuterias e fuxico, também faz parte dos planos das idosas.

“O voluntariado é muito importante na terceira idade, já que proporciona o resgate do que se sabe e gosta de fazer e liga à sociedade. Assim, elas se sentem úteis e ficam cada vez mais cheias de vitalidade”, afirma a analista de projetos do Sesc-MG, Gláucia Santos.

Perspectiva confirmada por uma das voluntárias, Maria da Conceição Fontoura, de 72 anos: “Comecei a fazer tricô como hobby para distração e preencher o tempo, depois que fiquei viúva. Hoje faço diversas atividades e agora ensino as meninas o que sei. Elas já começaram a fazer cachecóis e florzinhas para enfeitar”, afirma. A aposentada comemora o resultado do trabalho. Diz gostar de passar experiências para as adolescentes. “É gratificante. Eu sinto que essa dedicação é recíproca e acabamos ficando amigas.”