A cozinha de quintal, que atraiu cerca de dez mil pessoas para o Festival Igarapé Bem Temperado, poderá ser apreciada ao longo de 2018. O evento, finalizado no último domingo, será ampliado com tours nas casas das chamadas mestras da culinária, cozinheiras com mais de 60 anos que distribuem sabor e histórias com os pratos típicos do município da Grande BH.

“As pessoas poderão almoçar e conhecer os quintais dessas senhoras para ver técnicas de preparo e saborear comidas típicas. Tudo com preços acessíveis para que mais de um prato seja degustado. Vamos organizar os passeios a partir do ano que vem”, conta a pesquisadora e gestora do festival, Letícia Cabral. 

Resultado

Nesta 13ª edição, ocorrida de 21 a 24 de setembro, foram servidas cerca de 15 mil porções com o resgate da tradicional culinária da região. “O festival não fala só de comida, mas da atmosfera de sabores da cidade. Não mostramos aqueles pratos típicos mineiros como tutu e tropeiro, mas os servidos antigamente nas casas das mestras”. 

Esse passado, segundo Letícia, remete ao ciclo do ouro no Estado. É a comida feita em um tempo onde quase tudo era plantado nas hortas e os alimentos preparados no fogão a lenha. Nesse contexto da culinária de “escassez”, as plantas alimentícias não convencionais reinavam. 

Por isso, elas estiveram presentes em várias receitas apresentadas no evento. Quem esteve no festival experimentou hortaliças diferentes, como a cansanção, o ora-pro-nóbis, beldroega, mastruz, umbigo de banana e mavarisco, muito comuns na região. 

Renomados

Para o próximo ano, serão mantidos os workshops com as mestras da culinária e profissionais convidados, além de seminários e oficinas. Em 2017, chefs renomados participaram do festival, como Eduardo Maya, o holandês Willem Bovekerk, o português Alexandre Miguel, Flávio Trombino, Cidinha Lamounier, Viviane Fantini eo coordenador do curso de gastronomia das Faculdades Promove, Jackson Cabral.