O incêndio que consumiu um pavilhão da Central de Abastecimento de Minas Gerais, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no início da tarde desta quinta-feira (7), já é considerado um dos três maiores da história do entreposto. De acordo com o presidente da associação dos comerciantes da Ceasa, Emílio Brandi, ainda não é possível precisar exatamente o impacto financeiro para as 12 empresas alocadas no pavilhão G-1, mas o prejuízo deve atingir cifras milionárias.

"Este é o terceiro grande incêndio dos 45 anos desde a fundação da Ceasa. Várias lojas foram atingidas, e (o incêndio) danificou bastante os prédios do pavilhão. São associados nossos, estamos muito preocupados", afirmou Brandi. A Defesa Civil interditou o pavilhão. "Alguns comerciantes faram de prejuízos de R$ 2, 3, 4 milhões. Mas ainda não sabemos, pois não conversei com os proprietários. Há lojas que tiveram perda total e uma ou outra loja que ficam na ponta do pavilhão que foram pouco atingidas, porque o Corpo de Bombeiros agiu rápido e conseguiu isolá-las", acrescentou. 

No início da noite desta quinta, o Corpo de Bombeiros conseguiu controlar as chamas. Segundo a corporação, as estruturas do pavilhão ficaram comprometidas e, por segurança, os militares ficaram do lado de fora, por causa do risco de desabamento. 

O representante dos comerciantes também informou que o presidente da Ceasa-MG acatou um pedido da associação e irá realocar as lojas atingidas pelo incêndio em espaços que estão vazios e ainda aguardam licitações. "O presidente vai respeitar a metragem de cada loja", explicou Brandi. 

Perda total

Há 40 anos na Ceasa, o comerciante Antônio Inácio da Silva, dono da Bocão Atacado, conta que perdeu cerca de 20 mil produtos com o incêndio. "Perdemos tudo. Tinha todos os tipos de miudezas, alumínio, cascolar, plástico. Minha loja é conhecida de todo mundo que precisava caçar alguma coisa", conta ele, que estima os prejuízos em cerca de R$ 4 milhões. "Faz parte da vida da gente. Há 40 anos, quando a gente tava começando no sacrifício danado, até seria pior. A gente sempre procurava alguma coisa, tem câmera, tem tudo lá, a gente desligava a parte elétrica, desligava tudo. Todo dia conferia tudo. Não fechava enquanto não tivesse tudo desligado."

Antônio, que tem uma loja em outro pavilhão, que não foi atingido pelo incêndio, diz que, há cerca de 2 anos, fechou um seguro para a loja. "Dois pavilhões já tinham pegado antes, e eles até pararam de fazer seguro na Ceasa. Eu mesmo fiquei dez anos sem. Agora, espero pelo menos receber alguma coisa, mas tem que aparecer na mão antes para ter certeza", afirmou o comerciante. 

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