Uma infestação de besouros coloca em risco 50 árvores de Belo Horizonte, que estão no trajeto de blocos de carnaval. O besouro metálico gigante como é conhecido ou "euchroma gigantea" ataca árvores das espécies paineras e mongubas. "Constatamos um surto populacional, um aparecimento descontrolado", afirma o doutor em entomologia, Dany Silvio Amaral. 

Mas o problema, segundo Dany Silvio, é a larva. Geralmente, a fêmea deposita os ovos no tronco, a larva entra em alguma fresta e come a madeira, deixando a árvore oca da parte média para baixo. As larvas podem chegar a 12 centímetros de comprimento. "É um ataque silencioso. Às vezes a árvore tem a copa vigorosa, mas tem lesões extensas por dentro", explica.

Nos dias de carnaval, quase 400 blocos vão desfilar nas ruas da cidade. Alguns com até 50 mil foliões. E para garantir a proteção dessas pessoas, o trabalho de poda e retirada de algumas já começou. "As supressões e podas de quatro meses pra cá já estão sendo feitas", explicou o coronel Alexandre Lucas, coordenador da Defesa Civil.

O período preocupa por causa da chuva intensa e do vento forte, comuns nessa época do ano e que aumentam ainda o risco de queda. Por isso, outra medida da Defesa Civil é a emissão de mensagens de texto por celular para diretores de todos os blocos de carnaval de Belo Horizonte. Vão ser alertas de chuvas, de raios e algumas dicas de seguranças. 

Besouro metálico gigante
As larvas comprometem também as raízes da árvore

Medidas de controle

O doutor em entomologia disse ainda que o ciclo da larva dentro da árvore é lento e dura cerca de um ano, depois ela sai já inseto adulto. "Por isso, vai demorar alguns anos para a árvore perder a estabilidade". Atualmente são 1800 paineiras e mugunbas na cidade. E todas estão sendo monitoradas de acordo com a Defesa Civil.

Das 50 que vão sofrer intervenção, porque estão no trajeto de blocos de carnaval, 70% estão nas Regiões Centro Sul e Leste da cidade. "Para que todos os foliões que vão brincar o carnaval tenham total segurança, nós vamos policiar os locais em relação à presença desses insetos e proteger todos que estão em contato com essas áreas", informa o secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Werneck.

Ainda estão sendo planejadas ações para monitoramento e estudo dos insetos conforme informou o secretário. A ideia é reduzir a população dos besouros com armadilhas e produtos químicos injetados nas árvores sem prejudicar o vegetal. Mas essa etapa ainda não tem data para começar.

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