O Diário Oficial do Estado de Minas Gerais divulgou nesta terça-feira (1º) que a prática de pesca na parte mineira da bacia do Rio Doce está proibida. A medida foi definida pela portaria nº 78 do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Será permitida somente a pesca científica, desde que devidamente autorizada. Já a pesca amadora está permitida, mas somente na modalidade de pesque e solte.

O objetivo, segundo a portaria, é permitir a recuperação do rio e da ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região biogeográfica) da bacia do rio Doce, após o rompimento da barragem do Fundão da mineradora Samarco, em Mariana, ocorrida em novembro do ano passado, que resultou na morte de 19 pessoas.

A portaria deverá ser revista, à medida que novos estudos técnicos e científicos comprovem a recuperação populacional das espécies do rio Doce. “A manutenção da proibição dependerá de subsídios técnicos que contribuam para melhor compreensão de aspectos da fauna aquática”, explica a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Sônia Aparecida Cordebelle de Almeida.

Sônia Cordebelle explica que a proibição é válida para a calha principal do Rio Doce e seus afluentes. “A medida é necessária para permitir a recomposição da toda a comunidade aquática, da cadeia alimentar das espécies encontradas na bacia, incluindo peixes ameaçados de extinção e endêmicos”, afirma.

A decisão de proibir a pesca também levou em consideração prevenir possíveis riscos à saúde humana em função da sanidade do pescado “Os impactos sobre a bacia do rio Doce ainda não foram determinados e serão necessários estudos e avaliações para determinar as medidas mais corretas para recuperação da região”, explica Sônia Cordebelle.

O início da proibição da pesca no Rio Doce coincide com o início da piracema nos rios e das restrições à pesca nas outras bacias de Minas Gerais. 

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