Um dos integrantes do "Bando da Degola" teve recurso negado nesta quarta-feira (28) pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Arlindo Soares Lobo foi condenado a 44 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Ele teria matado, juntamente com outros sete acusados, os empresários Fabiano Ferreira Moura e Rayder Santos Rodrigues em abril de 2010, no bairro Sion, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
 
No recurso, Arlindo Soares pedia a anulação do júri, sob a alegação de que a decisão foi contrária à prova dos autos. Caso o tribunal entendesse que não caberia um novo julgamento, a defesa do acusado requeria a redução das penas alegando que ele não participou dos assassinatos e que seu envolvimento no caso se deu sob coação do líder do bando, Frederico Flores.
 
Entretanto, o desembargador Eduardo Brum, relator do recurso, entendeu que “não há dúvida de que Arlindo participou efetivamente de todos os crimes pelos quais acabou condenado na primeira instância”. Ainda segundo o magistrado, mesmo que ele atribua suas ações à coação, “sua versão foi confrontada categoricamente pela ampla prova testemunhal.”
 
Arlindo Lobo está preso preventivamente desde 8 de junho de 2010 e hoje se encontra no presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além dele, Frederico Flores e o ex-policial Renato Mozart também já foram condenados pelos crimes. 
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Frederico Flores e outros sete acusados sequestraram e extorquiram os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39. Após fazer saques e transferências de valores das contas deles, o grupo assassinou as vítimas em um apartamento no bairro Sion e transportou os corpos no porta-malas do carro de uma das vítimas para a região de Nova Lima, na Grande BH, onde foram desovados.
 
Ainda conforme a denúncia, os empresários estavam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias de dinheiro. As atividades ilícitas chegaram ao conhecimento de Flores, líder do "Bando da Degola", que passou a manifestar o desejo de extorqui-los e foi ajudado pelos demais acusados. Ao todo, oito pessoas foram presas por envolvimento no crime.