O Centro de Saúde São Marcos, no bairro Fernão Dias, região Nordeste de Belo Horizonte, foi arrombado no fim de semana. Além de levarem sete computadores e quatro impressoras, os ladrões roubaram artigos da cozinha que haviam sido comprados pelos próprios servidores, como fogão, botijão de gás, um micro-ondas e uma cafeteira.

O alarme do sistema de segurança não soou durante o arrombamento, mas testemunhos dos vizinhos dão conta de que o crime teria sido praticado no fim da noite de sexta-feira (6). A Polícia Militar foi chamada às 6h45 desta segunda-feira (9) e a perícia foi acionada. Ficou constatado duas janelas, dois cadeados e duas portas foram danificadas.

De acordo com Inês de Oliveira, diretora de comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), o atendimento na manhã de segunda ficou prejudicado, pois os pacientes não puderam ser atendidos durante o trabalho da perícia. “Além do estresse e insegurança vivenciado pelos servidores, o usuário também foi prejudicado. Quem chegou cedo para fazer a coleta de sangue não pôde ser atendido”, afirma.

Segundo ela, o Sindibel estima que foram 46 ocorrências policiais nos 152 centros de saúde da capital este ano, sendo a grande maioria referente a furtos (quando as instituições estão fechadas) e roubos a mão armada (quanto servidores e usuários são obrigados a entregar dinheiro e objetos de valor).

A empresa responsável pela segurança do Centro de Saúde São Marcos deve repor ainda nesta segunda os computadores e impressoras roubados, importantes para o atendimento pleno aos usuários do SUS. Já os eletrodomésticos da cozinha, que haviam sido comprados pelos servidores com uma “vaquinha”, não estavam segurados. Sem fogão e micro-ondas, os servidores terão dificuldade em preparar suas próprias refeições.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que, apesar do assalto, o Centro de Saúde São Marcos funcionou normalmente na tarde desta segunda (9). Disse também que monitora de forma frequente a situação nas unidades de saúde em que há relatos de violência e trabalha para atender as demandas da população e trabalhadores.  A reposição dos equipamentos de informática seria feita ainda nesta segunda.

Segurança

Uma maior segurança nos centros de saúde da capital tem sido a principal reivindicação dos servidores. Em agosto, foi feita uma paralisação na UPA Venda Nova para chamar a atenção da Prefeitura de Belo Horizonte para o problema.

Segundo Inês, o Sindibel reivindica a volta dos porteiros nos 152 centros de saúde da cidade. Em 2015, os porteiros foram retirados das unidades e a segurança passou a ser feita pela Guarda Municipal. Mas quando a corporação deixou a ter o foco sobre a segurança patrimonial, os guardas deixaram de assistir integralmente todos os centros de saúde.

“Acreditamos que o porteiro inibe os casos de violência que acontecem cotidianamente nos centros de saúde. As pessoas entram nas unidades e vão direto aos consultórios, sem passar por uma fiscalização”, conta Inês.