O risco de a Lagoa da Pampulha ter sido contaminada por resíduos tóxicos derivados do incêndio que destruiu um dos pavilhões da Ceasa no feriado permanecerá uma incógnita pelo menos até segunda-feira.

O material poluente teria escoado pela rede de drenagem da central de abastecimento para o córrego Sarandi, junto com a água usada pelo Corpo de Bombeiros para apagar o fogo.

Nessa sexta-feira (8), uma mancha escura semelhante à fuligem tomou conta do canal que liga o córrego à lagoa, em frente à Estação Ecológica da Pampulha. A suspeita é de que restos de produtos armazenados em uma loja de defensivos agrícolas tenham causado a contaminação.

O incêndio na Ceasa destruiu 12 lojas e o local foi interditado pela Defesa Civil; as causas das chamas são investigadas pela Polícia Civil

Newton Pascal, analista do Núcleo de Emergência Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), afirma que somente depois de exame realizado em laboratório será possível explicar o que é o material visto no espelho d’água.

Pascal explica que a análise rotineira feita pela Copasa na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) constatou que os níveis de PH e oxigênio dissolvido estavam dentro da normalidade. “Vale lembrar que, por causa do esgoto, o nível de oxigênio é naturalmente baixo”, ressaltou. 

O analista garantiu, ainda, que a fuligem vista no córrego não foi verificada dentro da Lagoa da Pampulha. Os técnicos da ETE foram orientados a acompanhar a situação e informarem qualquer anormalidade. “Por enquanto não foi verificada a mortandade de peixes e a fauna aquática está preservada”, concluiu. 

Impactos

Para o professor Marcos Von Sperling, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, o impacto no ecossistema da Pampulha vai depender diretamente do volume de resíduos que chegaram à região. 

“Ainda não há dados para uma análise profunda, mas a impressão é que não será nada muito grave já que a bacia é muito grande e os produtos podem ter se dissipado”, opina. 

Por meio de nota, a PBH informou que o córrego é de responsabilidade do município de Contagem, mas que acompanha o caso. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Contagem e a Copasa, mas ninguém atendeu às ligações.