A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as denúncias de agressão que um menino autista, de 10 anos, teria sofrido dentro de uma escola de Belo Horizonte. A mãe da criança, Kátia Alves Dourado, contou que só teve a confirmação das agressões depois que teve acesso às imagens feitas durante uma aula de informática por um informante anônimo.

No vídeo, o menino aparece deitado no chão, enquanto o monitor está no computador. Depois, o monitor pega o menino e o senta na cadeira de forma brusca e com ameaças. "Vou levar ele pra tomar injeção agora, aí ele vai ver o que é bom para tosse", diz. Na cena seguinte, o monitor parece morder a orelha do menino; depois debruça em cima dele, enquanto o menino parece chorar. Quando o menino se levanta, ele dá tapas no rosto do garoto.

Na sequência, o menino está sentado em frente ao computador e o monitor puxa o nariz do garoto. "Você destrói tudo, menino (sic)", fala. E, na última cena, o menino aparece amarrado e sentado no chão, com as mãos presas. Ao fundo, é possível ouvir a voz do monitor: "Sai da algema, sai rapaz".

Em seu perfil no Facebook, Kátia falou sobre o comportamento do monitor. "Tá ai uma pessoa que fingia de bonzinho na minha frente i pelo minha Costa bate na cara do meu filho é um absurdo numa sala de aula ninguém faz nada (sic)", publicou Kátia na rede social.

Ela contou que desde dezembro do ano passado vinha observando que o filho estava chegando machucado. Até que chegou a quebrar o dente. "Eles falavam que era queda, sempre falavam assim", explica. Este ano, depois que viu o vídeo, enviado  por um anônimo, segundo ela, procurou pela polícia para fazer um boletim de ocorrência e acionou os advogados.   

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Além do monitor, podem responder também por crime as pessoas que sabiam das agressões e não tomaram nenhuma providência.

Escola Elisa BuzelinA escola onde o garoto estuda recebe alunos do Ensino Fundamental

Procurada pela reportagem, a Escola Municipal Elisa Buzelin informou que não vai se pronunciar e que apenas a Secretaria Municipal de Educação (Smed) vai falar pela instituição. Já a Smed, afirmou, por meio de nota que "repudia veemente" a atitude do monitor e que a direção da unidade foi instruída a demitir o funcionário, comunicar o fato à família e registrar um boletim de ocorrência, o que foi feito, sendo o monitor demitido por justa causa na última segunda-feira (7). No mesmo dia, um boletim foi registrado e representantes da Gerência Regional de Educação de Venda Nova estiveram no local para apurar os fatos e promover uma reunião com a direção da unidade e com a família.

O garoto continua na escola e um novo monitor foi designado para o trabalho. "A Gerência Regional de Educação de Venda Nova já solicitou atendimento psicológico, em caráter prioritário, para o estudante e a família", informou a Smed. 

Leia na íntegra a nota da Secretaria Municipal de Educação

"Em relação ao episódio envolvendo um aluno da Escola Municipal Eliza Buzelin, de Venda Nova, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) informa que logo que tomou ciência do fato orientou prontamente a escola em relação às medidas cabíveis. A direção da unidade foi instruída a demitir o funcionário, comunicar o fato à família e registrar um boletim de ocorrência. Esses procedimentos foram feitos imediatamente, e o funcionário foi demitido por justa causa na segunda-feira, dia 7. No mesmo dia, a escola registrou o boletim e representantes da Gerência Regional de Educação de Venda Nova estiveram no local para apurar os fatos e promover uma reunião com a direção da unidade e com a família.

A escola já providenciou outro auxiliar de apoio para acompanhar a criança, que continua a frequentar as aulas na unidade. A Gerência Regional de Educação de Venda Nova já solicitou atendimento psicológico, em caráter prioritário, para o estudante e a família. Todas as providências imediatas cabíveis à competência da Educação foram tomadas e a Smed apura detalhes do fato para avaliar outras medidas necessárias. A Smed continua em constante contato com a escola, objetivando ativar os serviços necessários para garantir melhor acompanhamento da criança.

Vale ressaltar que a Secretaria Municipal de Educação repudia veemente a atitude do monitor em relação a essa criança e que tal episódio não reflete a política de inclusão adotada na Rede Municipal de Educação. A Secretaria atende cerca de cinco mil estudantes com deficiência na Rede e promove capacitações constantes para garantir que os profissionais envolvidos, tanto da área pedagógica quanto da área de apoio, atuem de forma comprometida, acolhedora e responsável com os estudantes. Qualquer fato que esteja em desacordo com tal política é apurado criteriosamente na Secretaria e os envolvidos são devidamente responsabilizados para que ocorrências semelhantes sejam evitadas nas escolas municipais".

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