As apostas da defesa de Frederico Flores para livrar o réu da acusação de ser o líder do “Bando da Degola”  - quadrilha que teria assassinado e decapitado os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39, estão concentradas no depoimento do médico psiquiatra Paulo Roberto. Flores está sendo julgado nesta quinta-feira (12) no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. 
 
O psiquiatra atuou como testemunha da família de Frederico Flores quando foi realizado o laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML). O médico disse que o réu é “impulsivo, explosivo, violento e egocêntrico, em função de sua doença mental”.
 
O laudo considerou que Flores pode ser parcialmente responsável pelos crimes cometidos, porque ele não teria total domínio sobre os seus atos. O médico afirmou, em juízo, concordar com o resultado do exame. 
 
Paulo Roberto contou ainda que Frederico tem uma predisposição genética à doença mental. Ele lembrou que o réu teve uma infância e adolescência conturbadas e que usava entorpecentes que o levaram ao transtorno psicológico. 
 
O advogado do réu Zanone Santos questinou o psiquiatra sobre o comportamento de Frederico Flores e o diagnóstico do laudo pericial. Paulo Roberto disse que o “adoecimento mental” de Flores não foi tratado e que esse distúrbio mental causa instabilidade emocional e pode levar a pessoa a atentar contra a vida de outras pessoas e a si mesmo.  Segundo o médico, a dinâmica do crime e as crueldades cometidas, em parte, são expressão de doença mental de Flores. 
 
Outro advogado de Frederico, Ércio Quaresma, questionou ao médico se há algum tratamento que possa fazer com que pessoas como Frederico possam conviver em sociedade. O médico afirmou que a terapia pode reduzir ou minimizar a possibilidade de alguém assim cometer delitos. 
 
O promotor Francisco Santiago que não fez perguntas para a testemunha de defesa. 
 
A expectativa é de que o júri se estenda até a noite desta quinta-feira. O sorteio do Conselho de Setença foi realizado logo no início da sessão, sendo escolhidas cinco mulheres e dois homens. 
 
Outros envolvidos
 
Dois réus envolvidos no "Bando da Degola" já foram condenados: o ex-policial Renato Mozart, a 59 anos de reclusão, em dezembro de 2011, e o estudante Arlindo Soares Lobo, a 30 anos de reclusão, em julho deste ano, ambos por homicídio qualificado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Os processos deles foram remetidos ao TJMG para julgamento de recurso.
 
Os outros acusados, o policial André Luiz Bartolomeu da Silva, o pastor evangélico Sidney Eduardo Beijamin e a médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, além de outras duas pessoas, ainda serão julgados, mas seus processos foram remetidos ao TJMG para julgamento de recursos.
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Flores e outros sete acusados sequestraram e extorquiram os empresários Fabiano e Rayder. Após fazer saques e transferências de valores das contas deles, o grupo assassinou as vítimas em um apartamento no bairro Sion e transportou os corpos no porta-malas do carro de uma das vítimas para a região de Nova Lima, na Grande BH, onde foram desovados.
 
Ainda conforme a denúncia, os empresários estavam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias de dinheiro. As atividades ilícitas chegaram ao conhecimento de Flores, líder do "Bando da Degola", que passou a manifestar o desejo de extorquí-los e foi ajudado pelos demais acusados. Ao todo, oito pessoas foram presas por envolvimento no crime.
 
(*) Com informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais