As forças de segurança de Minas querem tirar de circulação, na Copa do Mundo, vândalos que potencialmente podem se infiltrar em manifestações populares. Até 176 pessoas que respondem por crimes cometidos nos protestos de junho de 2013 em Belo Horizonte correm o risco de ter a prisão preventiva decretada, estratégia das autoridades para prevenir a violência.

A medida, confirmada Nesta terça-feira (11) pelo assessor extraordinário da Copa do Mundo da Polícia Militar, coronel Antônio Bettoni, era cogitada pelo secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, há pelo menos um mês.

As prisões preventivas serão embasadas nos artigos 311 e 312 do Código de Processo Penal. Delegados, Ministério Público e juízes estaduais e federais serão acionados para viabilizar a retirada dos “alvos” das ruas.

Não foi divulgado quantas detenções serão solicitadas. Mas manifestantes considerados “de risco” e que ficarem livres da prisão serão monitorados e detidos caso se envolvam em novo ato ilegal.

Durante a Copa das Confederações, 176 pessoas foram identificadas e qualificadas pela Polícia Civil por cometerem crimes. Em 59 casos, os acusados foram indiciados por vandalismo, furto, formação de quadrilha e dano ao patrimônio.

Mas o presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG), Adilson Rocha, vê com ressalva a tática das autoridades.

“A prisão preventiva só deve acontecer se houver prova de que essas pessoas, efetivamente, vão voltar à prática de vandalismo. Considerando somente o que aconteceu há um ano, um juiz dificilmente irá conceder o pedido. E, se deferir positivamente, instâncias superiores poderão derrubar a decisão”, diz o criminalista.

TOLERÂNCIA ZERO

As prisões preventivas fazem parte do “pacote” para prevenir e combater a violência na Copa do Mundo. Desde 2011, são investidos R$ 130 milhões na segurança do evento.

Até o início do Mundial, serão instaladas cem novas câmeras de vigilância no entorno do Mineirão e vias de acesso ao estádio.

Até os capacetes dos militares terão filmadoras. Dois helicópteros com raios infravermelhos, para captar cenas inclusive no escuro, também serão usados.

Férias de todos os policiais militares e civis, em junho, foram canceladas. Haverá ainda reforço do efetivo em BH, com pessoal do interior. A tropa da PM deverá chegar a 5.500 homens só na linha de frente das manifestações. Balas de borracha, escudos e pistolas de emissão de impulso elétrico, para imobilizar pessoas, foram compradas.

“Todos os recursos disponíveis de força serão usados, caso necessário. Mais de 10 mil militares receberam cursos diversos, como tratamento ao turista, manipulação de explosivos, identificação de suspeitos e até contra o atos de terrorismo”, diz o coronel Bettoni. l

Treinamento com a polícia de elite dos EUA

Exatos 1.354 policiais civis de Minas estão sendo treinados por agentes do Serviço Secreto dos Estados Unidos (EUA) e da Polícia Federal norte-americana, o FBI, para combater o crime organizado, atos de terrorismo e falsificação de moedas estrangeiras.

Segundo o delegado Gustavo Borletta de Almeida, da Central de Flagrantes (Ceflan), espera-se um aumento de circulação de moedas falsas durante o Mundial, além de maior frequência de golpes e até sequestros-relâmpagos contra turistas.

No ano passado, 1.114 ocorrências de crime com moeda falsa foram registradas em Minas, 127 delas na capital. Em 2012 foram 1.237, sendo 154 em BH.

“Nossa preparação é focada no dólar, mas também receberemos orientações sobre o euro e até o peso argentino. Há, ainda, grande possibilidade de existir pessoas vendendo ingressos falsos para os jogos”, disse o delegado.

AJUDA

Guardas municipais também reforçarão a segurança na Copa do Mundo. Porém, segundo o secretário Municipal Extraordinário para a Copa do Mundo, Camilo Fraga, o efetivo deverá atuar prioritariamente no trânsito.

“Nossa atenção maior é para a mobilidade urbana. Serão 500 ônibus para transportar o torcedor até o estádio. Temos planos alternativos, caso as manifestações interditem vias e inviabilizem o BRT/Move na avenida Antônio Carlos, por exemplo”.

Já o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de BH, Anderson Rocha, não acredita em manifestações na Copa do Mundo na mesma proporção das do ano passado.

“A proteção das lojas será individual, porém temos apenas expectativas positivas, principalmente de vendas”, disse. l