Cerca de 10 mil de pessoas, dentre ativistas ambientais, esportistas, apaixonados pela natureza e moradores de municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), participaram, no início da tarde desta sexta-feira (21) de um grande abraço simbólico na Serra da Moeda, em Brumadinho, a 15 quilômetros da capital mineira. O ato, realizado pela décima vez, cobra preservação ambiental da cadeia rochosa e das nascentes do entorno, ameaçadas por grandes empreendimentos e pela exploração de minério, conforme o movimento. 

Organizado pela ONG Abrace a Serra da Moeda, o projeto é realizado sempre no 21 de abril em alusão à Inconfidência Mineira - marco da luta dos mineiros contra as arbitrariedades da Coroa Portuguesa no período do Brasil Colônia.

Um dos principais motes da campanha é a criação do Monumento Natural Estadual da Mãe D'Água. Este ano, porém, o ato cobra da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) responsabilidade sobre a segurança hídrica da região.

De acordo com a advogada da ONG, Beatriz Vignolo Silva, uma das nascentes exploradas pela fábrica da Coca-Cola, localizada em Itabirito (região Central), teria secado. O manancial era responsável pelo abastecimento de mais de mil famílias que vivem na região.

"Desde então a empresa envia quatro caminhões-pipa por dia a essas famílias para suprir a demanda de água. Nosso foco principal esse ano é reivindicar das autoridades que tomem providências com relação ao dano que já vem sendo suportado pela Serra da Moeda", enfatizou. 

Além da fábrica da Coca-Cola, outro empreendimento de grande impacto, segundo a ONG, seria o Complexo Residencial CSul, construído na Lagoa dos Ingleses.

Cordão humano

Como de costume, os manifestantes que participam do ato deste sábado vestiram roupas brancas e permaneceram de mãos dados por cerca de 30 minutos em defesa do meio ambiente.

A região abriga mais de 30 nascentes que abastecem diretamente cerca de 10 mil famílias que vivem na região. Os mananciais também são importantes para a formação das bacias hidrográficas dos rios Paraopeba e Velhas, que distribuem água para a RMBH. 

Posicionamento

Em nota, a Coca-Cola Femsa Brasil esclareceu que a operação em Itabirito possui, desde o início, todas as licenças ambientais exigidas para funcionar regularmente. Em relação ao abastecimento de água, a companhia informou que está trabalhando junto à Associação da Comunidade de Campinho, ao Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto (Saae) e às prefeituras de Brumadinho e Itabirito para ajudá-los a encontrar soluções alternativas para o fornecimento de água aos moradores da região.

Ainda conforme a nota da empresa, evidências técnicas, presentes em um estudo hidrogeológico iniciado em 2016, indicam que não há interferência dos poços do Saae Itabirito em relação à vazão das nascentes em Brumadinho. O Saae é a concessionária municipal que fornece água para a fábrica e possui outorga dos poços utilizados para abastecimento da região.

"Vale ressaltar que a fábrica da Coca-Cola Femsa Brasil, inaugurada em junho de 2015 em Itabirito, dispõe das mais avançadas tecnologias para otimizar os processos hídricos dentro das operações, com eficientes sistemas de reaproveitamento e reuso de água", informou o documento.