Além de ser multada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), a Vale S.A deverá ser investigada pelo Ministério Público (MPMG) em função do vazamento de rejeitos na mina de Fábrica, em Ouro Preto, Central de Minas. O acidente afetou bacias que desembocam no rio das Velhas, responsável pelo abastecimento de água de parcela representativa da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Segundo informações da Semad, o vazamento da última segunda-feira ocorreu em uma tubulação que carrega rejeitos de beneficiamento do minério de ferro para uma das barragens da empresa. A Vale será multada pela pasta em função disso, mas o valor a ser pago ainda não foi definido. 

Hoje, o promotor da Primeira Promotoria de Congonhas, Vinícius Alcântara Galvão, vai pedir um detalhamento do acidente aos órgãos ambientais. “Se tiver ocorrido danos ao rio em Congonhas, vou abrir um inquérito civil e requisitar laudos detalhados. Se necessário, vamos punir os responsáveis”, garante.

Reflexos

A mineradora afirma, em nota, que todas as ações de mitigação dos danos foram tomadas e que o incidente foi de baixa magnitude e isolado, não representando dano à captação de água para consumo humano. A informação, porém, é refutada por ambientalistas, que alegam haver reflexos na água consumida em Congonhas, Itabirito, Nova Lima, Belo Horizonte e várias cidades da RMBH. 

Educadora ambiental e representante do Projeto Manuelzão, Maria Teresa Coruja diz que cerca de 42% da Grande Belo Horizonte é abastecida com água do Velhas, onde vai desembocar os rejeitos vindos do córrego do Prata, onde ocorreu o vazamento. [TEXTO]“Se pegarmos a capital, 70% da população consome essa água e, em Nova Lima, é cerca de 90%”, observa. Estima-se que cerca de 2,2 milhões de pessoas consomem a água. 

Por sua vez, a Copasa garante não existir risco de desabastecimento da população.

Riscos à saúde

Paulo Rodrigues, geólogo e membro do Movimento Pelas Serras e Águas de Minas, acredita existir um risco de contaminação da água usada para o consumo humano na área do rompimento. “O grande problema é que esses rejeitos possuem resíduos como manganês e arsênio, e não há sistema de tratamento que filtre metais pesados”.

Em 2015,  mostrou problema semelhante em Nova Lima, na Grande BH, onde rejeitos contamiram a Lagoa dos Codornas; uma área de 30 mil metros quadrados do espelho d’água foi afetada por material proveniente da mina de Vargem Grande, controlada pela Vale 

 

Segundo ele, não há como saber o impacto para a saúde de quem consumir a água, uma vez que depende das proporções de metais que vazaram. 

A Secretaria de Meio Ambiente de Ouro Preto promete avaliar os impactos nos córregos do município. Conforme o resultado do laudo, ela poderá notificar a Vale e tomar ações conjuntas com a Prefeitura de Itabirito.