Desemprego nas alturas, incentivo à formalidade e benefícios do governo fazem aumentar o número de microempreendedores individuais (MEIs) em Contagem. A cidade é a segunda no ranking de pequenos empresários formalizados em Minas, perdendo apenas para Belo Horizonte. Enquanto a concentração de MEIs, de janeiro a julho, chegou a 123.548 na capital, o município vizinho acumulou 29.762 empresários na categoria no mesmo período.

Para a analista do Sebrae Elzi Andrade, o crescimento em Contagem reflete o cenário em todo o país. “A situação econômica hoje não é fácil. O desempregado que não consegue nova colocação no mercado parte para o empreendedorismo porque precisa sustentar a família. O MEI também está sendo bastante difundido, o que não acontecia há alguns anos”, diz.

Ela destaca ainda os benefícios previdenciários e o incentivo ao crédito para quem deixa de trabalhar na informalidade.

Nichos

O segmento que mais tem microempreendedores em Contagem é o de roupas e acessórios, com 2.927 empresários formalizados. Em seguida aparece o de cabeleireiros, categoria na qual estão cadastradas 2.862 pessoas. 

Outro setor que está ganhando força com mais trabalhadores deixando a informalidade é o que abrange pedreiros, pintores e eletricistas. Na cidade são pelo menos 2,2 mil empreendedores individuais do tipo.

Necessidade

Em outros casos, a formalização do negócio acaba sendo uma exigência do próprio cliente. Elzi Andrade explica que, na reorganização da estrutura empresarial para se adequar à nova realidade econômica, as empresas estão incentivando o prestador de serviço a ter o próprio CNPJ. “Elas precisam e exigem a nota fiscal”, diz.

Foi devido à necessidade de emitir o documento que o microempreendedor Wagner Neves, de 55 anos, se formalizou. Após duas décadas no ramo de autopeças e uma grande decepção na reta final do negócio, há dois anos e meio, ele decidiu se dedicar ao cultivo de orquídeas.

Hoje, fornece arranjos para grandes hotéis no Estado. “Se não emitisse nota, não estaria onde estou”, diz Neves.

Também foi trabalhando por conta própria que a doceira Ana Lúcia Oliveira Souza, de 43 anos, conseguiu manter os filhos de 4 e 9 anos, após ficar viúva. Menos de dois meses depois de se tornar uma microempresária individual, ela fornece quitutes para uma grande empresa de Contagem. “Uma amiga sugeriu que eu tivesse o CNPJ para ampliar os negócios. E deu certo”, comemora.

Curso vai capacitar quem trabalha com alimentação

Entre 26 e 30 de setembro, o Sebrae Contagem irá oferecer um curso de capacitação em alimentos voltado para bares, lanchonetes e vendedores ambulantes, formalizados ou não.

A oficina, realizada em parceria com o Sesi Minas e a universidade UNA, vai abordar cuidados com a manipulação dos alimentos, planejamento de compras e técnicas de congelamento e descongelamento, dentre outros temas ligados ao assunto.

São oferecidas 60 vagas. As inscrições já estão abertas, por R$ 20. Elas podem ser feitas em qualquer ponto de atendimento do Sebrae ou pelo telefone 0800-5700800. Na segunda opção, o pagamento deverá ser feito por meio de cartão de crédito.