JUIZ DE FORA – Uma frota clandestina toma conta das estradas mineiras. Ignorando a falta de segurança, passageiros fretam táxis, ônibus e vans irregulares para viajar. O problema persiste mesmo depois de o Estado criar regras para coibir o vaivém ilegal de pessoas entre municípios. A Lei Estadual 19.445 está em vigor desde janeiro de 2011, mas não é suficiente para dar um basta à atividade, segundo representantes do setor de transporte em Minas.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/MG) promete rigor em fiscalizações programadas para as próximas semanas. “É um problema muito sério. Os viajantes correm riscos, as empresas regularizadas têm prejuízo e os transportadores pequenos muitas vezes não conseguem se regularizar”, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Turístico e de Fretamento, Nivaldo José Soares.

BUROCRACIA

Soares condena o serviço clandestino, mas reclama da burocracia para a legalização e a manutenção do transporte. O diretor de fiscalização do DER/MG, João Afonso Baeta Costa Machado, considera a lei eficaz no combate às irregularidades.

Baeta faz uma peregrinação pelo Estado na tentativa de conseguir apoio de outros órgãos na repressão ao transporte clandestino. Na última segunda-feira, esteve em Juiz de Fora, na Zona da Mata, para uma reunião com o Ministério Público e as polícias Federal e Militar.

O reforço é importante porque, segundo Baeta, o transporte clandestino mascara outros crimes.

“Por trás desse delito, muitas vezes existe tráfico de drogas e armas e contrabando, por exemplo. Há pessoas que oferecem transporte mais barato que o de ônibus na rodoviária e, durante a viagem, cometem furtos de bagagem e até estupro”, alerta, afirmando que alguns motoristas têm passagem pela polícia.

A força-tarefa deve atuar em outras cinco regiões de Minas. De acordo com Baeta, 40 coordenadorias do DER/MG vão trabalhar simultaneamente. O órgão vai divulgar na segunda-feira o total de veículos apreendidos no Estado desde o início do ano.