A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de duas adolescentes e da tentativa de assassinato de uma terceira, após uma festa cheia de orgia no bairro Vianópolis, em Betim, na Região Metropolitana, no dia 17 de novembro. Foram indiciados quatro homens pelos homicídios e pela tentativa. Um deles e outras cinco pessoas foram indiciadas pelo crime de corrupção de menores para prostituição.

Aos quatro indiciados por duplo homicídio houve ainda a qualificação por motivo fútil, tortura e feminicídio. Segundo a Polícia Civil, três deles ainda vão responder por sequestro. Entre os indiciados estão o filho do proprietário do sítio onde aconteceu a festa e um tenente-coronel reformado.

Segundo o delegado responsável pelo inquérito policial, Rodrigo Rodrigues, vítimas e suspeitos teriam discutido antes do crime. O motivo do desentendimento seria porque as vítimas insinuaram que as companheiras de dois homens presentes na festa teriam subtraído a quantia de R$ 70 de Aline Maria Silva, de 18 anos, que foi assassinada.

Aliciamento

De acordo com a Polícia Civil, adolescentes eram aliciadas em um bairro de Contagem para participarem de orgias sexuais, regadas a álcool e drogas, em Betim. As festas ocorriam de segunda a sexta-feira, com participação de homens de idades variadas, e os valores cobrados pelos programas variavam entre R$ 150 e R$ 300.

No dia do crime, traficantes do bairro Riacho, em Contagem, foram convidados para participarem da festa. Eles chegaram no fim da noite e, em determinado momento, iniciaram a discussão com as jovens. Indignados, os suspeitos ligaram para outros dois comparsas, para que levassem armas para a execução do crime. O organizador das festas teria prestado apoio aos suspeitos, retardando a saída das meninas do local da festa.

As adolescentes teriam sido rendidas pelos suspeitos e obrigadas a entrar no carro com eles. No caminho, as jovens foram torturadas pelo grupo. A primeira a ser atingida foi uma adolescente de 15 anos, que não morreu porque fingiu estar morta, mesmo com tiro no peito. Pensando que a jovem teria morrido, os suspeitos seguiram com as outras adolescentes alguns quilômetros à frente, até que fossem executadas. Além de Aline, eles teriam matado Saila Kalinda da Silva, de 16 anos.  

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