Se a possibilidade de haver segundo turno nas eleições de outubro, conforme apresentado pela pesquisa Datafolha desta sexta-feira (9), por um lado animou a oposição, por outro apontou a influência da exposição dos pré-candidatos na mídia ou nas agendas públicas.
 
Enquanto o senador Aécio Neves (PSDB) atribuiu seu crescimento de quatro pontos percentuais (de 16% para 20%) às denúncias de corrupção no governo federal e na Petrobras, o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, minimizou o fato de ter avançado apenas um ponto percentual – de 10% em abril para 11%.
 
“As denúncias de corrupção influenciaram no resultado. Afinal, uma quadrilha estava levando a Petrobras à situação de insolvência e a população está vendo isso”, afirmou Aécio, em Maceió.
 
Para Campos, mesmo com apenas 25% da população confirmar que o conhece e sua intenção de voto ainda ser baixa, não falta confiança. “Nunca tive dúvidas de que essa eleição é em dois turnos e está aberta”, disse, em São Paulo.
 
Apesar da pouca variação de Campos, para o presidente do PSB em Minas, deputado federal Júlio Delgado, não deixa de ser um crescimento que demonstra a redução de eleitores indecisos. “É um bom sinal, mas não suficiente. Tem que crescer. Se nas pesquisas Datafolha, Sensus e MDA a margem de erro é a mesma e ambas apontam a queda de Dilma e alta de Campos e Aécio, podemos dizer que os indecisos estão tomando suas posições”.
 
A presidente Dilma Rousseff não comentou o resultado. Em Minas, o presidente do PT, deputado federal Odair Cunha, minimizou a queda de Dilma. “É natural que na medida em que os candidatos da oposição fiquem mais conhecidos, eles cresçam nas pesquisas. Nas eleições presidenciais passadas, o PT ganhou no segundo turno.
Não se deve animar ou desanimar, é um retrato de momento e não implica em resultado eleitoral”, afirmou.
 
Marcus Pestana, presidente do PSDB estadual, comemorou a alta na rejeição de Dilma, de 42% para 43%, apesar do pronunciamento de 1º de maio e propagandas de estatais na TV, mas lembrou que a pesquisa retrata uma “fase embrionária” da disputa.