Com roupas curtas, peitos de fora e os corpos pintados, mais de mil pessoas se reuniram, neste sábado, no Centro de Belo Horizonte, com um propósito em comum: protestar contra a violência contra a mulher. Ousado e irreverente, o movimento nomeado de Marcha das Vadias também foi realizado em São Paulo e Recife.

O grupo se concentrou na Praça Rio Branco, em frente à Rodoviária, e seguiu até a Praça da Estação, passando pela rua Guaicurus. Durante todo o percurso, os manifestantes gritavam por liberdade, respeito e o fim do machismo.

“Os casos de agressão estão muito associados à ausência da liberdade. Se a mulher foge do padrão que foi estabelecido pela sociedade, é como se estivesse legitimando um ato de violência contra ela mesma”, afirma Adriana Torres, uma das articuladoras do evento.

Para ela, as ações do governo ainda estão longe de alcançar um resultado efetivo. Os números reforçam a tese. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros de estupro no Brasil aumentaram 168% nos últimos cinco anos. A cada dez casos, oito são contra mulheres.

Com apenas 16 anos, a estudante Gabrielle Gauss participou do evento pelo segundo ano consecutivo. Apesar da pouca idade, estava segura dos ideais defendidos.

“A sociedade é muito patriarcal e machista, com pensamentos que parecem ser da Idade Média. Quero ter liberdade de usar qualquer roupa, sair com quem eu quiser, ser responsável pelo meu futuro, sem ser rotulada de “vadia” por causa das minhas escolhas”.

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Abusos

Após diversos casos de abusos sexuais em uma universidade de Toronto, capital do Canadá, em 2011, um policial aconselhou às mulheres que não se vestissem como vadias para evitar que se tornassem vítimas de um agressor. O depoimento motivou um protesto, que levou 3 mil pessoas às ruas. Desde então, o movimento ganhou força e, hoje, é realizado em cerca de 30 países.