Quatro adolescentes viveram dias de terror depois que os pais deles - uma mulher de 47 anos e um homem de 53 - deixaram de tomar os medicamentos para controlar a esquizofrenia (doença sofrida por ambos) e tiveram um surto. A decisão do casal foi tomada sem orientação médica.

Os filhos ficaram por dez dias sem comer, o homem por 20 dias e a mulher não se alimentou por um mês.

Assim como o casal, durante todo o período de jejum, os adolescentes foram autorizados a beber somente água. O casal foi internado nesta quinta-feira (18) no hospital psiquiátrico Galba Veloso, em Belo Horizonte.

Pais exemplares

Embora já tenham tido outros surtos, esta foi a maior crise esquizofrênica vivida pelo casal. O incidente assustou os moradores da pequena Setubinha, no Vale do Mucuri, cidade de 10 mil habitantes onde a família vive.

Segundo a Polícia Militar, a situação só foi descoberta após denúncia. Os adolescentes de 12, 13, 14 e 18 anos e os pais deles foram abordados em casa por policiais, uma psicóloga e um enfermeiro. A casa da família, assim como a maior parte das residências do município, está localizada na zona rural.

"Durante os dez dias, os pais só permitiam que os meninos fossem ao quintal. Nessas ocasiões, ele conseguiam pegar laranjas das árvores e comer". Professores e a própria direção da escola onde os adolescentes estudam afirmaram à PM que todos eles têm comportamento exemplar e boas notas.

"Os pais sempre foram muito presentes na vida dos filhos: acompanhavam na escola e participavam de reuniões com frequência. Todo mundo de Setubinha sabia que eles tinham esquizofrenia, inclusive eles tiveram outros surtos, mas nunca fizeram isso com os filhos", contou o militar cabo Lopes, destacando que a mãe dos adolescentes teria, inclusive, conseguido se aposentar por causa da doença.

A prefeitura da cidade alugou uma casa, já mobiliada, no centro da cidade, para os filhos do casal viverem a partir de agora. Segundo o militar, a propriedade onde eles viviam pertence à família, mas é muito distante da escola. "Eles caminhavam quase uma hora para estudar e agora eles estarão em uma região central onde todos nós poderemos ajudar a cuidar deles".