Na manhã de 18 de março, a culinarista Mariana Laender sentiu as primeiras contrações do parto de sua segunda filha. Calmamente, prosseguiu com as atividades normais. As contrações aumentaram, mas ela não precisou se preocupar em correr para arrumar uma bolsa com roupas nem chamar o marido para levá-la ao hospital. Bem pelo contrário. A equipe do SUS responsável pelo parto é que foi à casa dela com os equipamentos necessários, inclusive uma banheira.

“Entrei na água e, em menos de uma hora, minha filha nasceu. Ela saiu como se estivesse nadando. Peguei o bebê e abracei. A coisinha mais fofa. Ficamos assim uns 15 minutos. Minha filha mais velha (3 anos) entrou, interagiu com ela. Depois sentei na cama, amamentei, aí meu marido cortou o cordão. Foi um parto tranquilo, acolhedor”, lembra Mariana.

O parto domiciliar da culinarista foi realizado por uma equipe do Hospital Sofia Feldman, a maior maternidade do país em número de nascimentos, 12 mil por ano, 100% realizados pelo SUS. Segundo o diretor clínico da unidade, João Batista Lima, a ideia de oferecer o serviço, pioneiro no país, partiu da própria equipe do hospital.

A enfermeira obstetra Raquel Rabelo de Sá Lopes é uma das integrantes do grupo de trabalho. Ela lembra que o Ministério da Saúde preconiza que a mulher possa escolher o lugar do parto. “Antes, não podíamos oferecer esse serviço pelo SUS, e sabemos que na rede particular é muito caro”, destaca.

Essa possibilidade de escolha reforçou a opinião de Mariana sobre a saúde pública. “Gosto muito do SUS”, diz. “A única coisa que demorou foi o exame depois que coloquei o DIU, três meses após o parto”, comenta. Assim como ela, muitos outros pacientes ouvidos na série de reportagens “Caminhos do SUS” relatam boas experiências, mas sem fechar os olhos para as falhas.
 
Leia nesta segunda-feira (14) sobre os programas bem-sucedidos da atenção básica e sobre os gargalos.