Um pastor de 51 anos da igreja do Evangelho Quadrangular, suspeito de abusar sexualmente pelo menos dez fiéis, foi preso na manhã desta terça-feira (15), em Belo Horizonte. Segundo a investigação, os possíveis crimes, incluindo estupro, ocorriam há pelo menos dez anos. 

Dentre as vítimas estão mulheres com idades variadas, desde adolescentes até pessoas com mais de 30 anos. Segundo a delegada da unidade especializada de Combate À Violência Sexual, Larissa Mascotte, as fiéis relatam que o homem utilizava a influência como líder religioso para ameaçá-las. 

"Além da figura que ele representava religiosamente, elas se sentiam muito coagidas porque ele dizia que era muito influente, que elas não tinham voz, que tinha conhecidos na polícia. Então ele falava como se fosse ficar impune", diz Larissa. Duas vítimas afirmaram ainda que o homem as ameaçava com arma de fogo, mas a Polícia Civil ainda não localizou o objeto. 

O pastor ficou conhecido entre as mulheres que sofreram possíveis ataques como "maníaco da orelha", porque ele tinha o costume de lamber essa parte do corpo da vítimas. No entanto, os abusos eram variados: desde beijos no pescoço até violências mais graves.

Uma das mulheres relata ainda que os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos e duraram até os 16. "Ele chegou a fazer sexo oral com essa vítima e a introduzir os dedos na genitália dela", conta a delegada. A primeira denúncia chegou até a delegacia em maio de 2017. 

pastor

O homem segue preso preventivamente

Outro lado

O advogado do pastor, Ademir Lataliza, alega que o cliente está "sendo levado por uma grande orquestração feita por várias pessoas que têm problemas particulares com ele". Ele diz ainda que está processando as mulheres que denunciaram os supostos abusos por calúnia e difamação. 

O inquérito foi aberto na ocasião e ainda há testemunhas sendo ouvidas. O pastor seguirá preso preventivamente até o fim das investigações. Caso seja comprovado o crime, o homem pode responder por estupro de vulnerável, com pena que pode chegar a 15 anos, estupro simples, com pena de até dez anos, e importunação ostensiva ao pudor.

Em nota publicado no site oficial, a Igreja do Evangelho Quadrangular  informou só teve conhecimento das condutas do pastor quando as acusações vieram a público, por meio da imprensa.

A instituição garante que o líder religioso está afastado de suas atribuições , em caráter preventivo de acordo com o estatuto da igreja, para que os fatos sejam apurados.

A Quadrangular ressaltou, ainda, que nunca recebeu denúncia sobre o pastor nos 25 anos de vínculo dele com a igreja. Além disso, de acordo com a nota, ele teria apresentado "todas as certidões em ordem a respeito de sua conduta moral, sem nada que o desabonasse, tal como exigido pelo estatuto da igreja".