A pauta de reivindicações do movimento que tem percorrido as ruas de Belo Horizonte já está pronta para ser entregue ao governador Antonio Anastasia e ao prefeito da capital Marcio Lacerda.
 
Contudo, até agora, as lideranças do protesto não teriam recebido nenhum aceno dos chefes da administração estadual e municipal para mostrar quais são as reivindicações. “Não houve nenhum contato, mas a gente não vai esperar a boa vontade de ninguém. Vamos continuar seguindo o nosso direito de manifestar”, contou Matheus Malta, da diretoria de relações internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE). 
 
Questionado se o governo reconhece tais lideranças para iniciar o diálogo, Malta afirmou que não há como desconhecer. “Os estudantes estão na luta pelo Passe Livre há vários anos no Brasil. São as mesmas lideranças do 'Fora Lacerda', 'Ocupações Urbanas' e do movimento social organizado”, explicou. Segundo ele, as manifestações estão sendo organizadas pelo Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (Copac). “Falar que não existe liderança é um exagero de realidade”, acrescentou. 
 
As ameaças que alguns líderes têm recebido, segundo Malta é confirmação da existência das lideranças. “Essas ameaças são a maior prova que de que existe liderança no movimento. Fizemos uma assembleia linda debaixo do viaduto Santa Tereza”, disse. 
 
A militante Gabi Santos, de 27 anos, revelou ao Hoje em Dia que a casa dela está sendo vigiada pela Polícia Civil e que alguns manifestantes apontados como líderes dos protestos tiveram os telefones grampeados e as redes sociais monitoradas. 
 
Além disso, durante uma reunião extraordinária realizada nesta sexta-feira (20) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a proteção do vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Gladson Reis, foi uma das questões abordadas.  
 
Houve uma votação fechada a possibilidade de fornecer proteção ao jovem. No próprio site da ALMG, consta a informação de que o Reis estaria recebendo ameças nas redes sociais por sua participação nas manifestantes e por ter denunciado a infiltração de policiais nos protestos. 
 
Infiltrados
 
Matheus Malta, que também é um dos membros da União da Juventude Rebelião (UJR), disse que o movimento não reconhece os protestos dessa quarta-feira (19) e terça-feira (18). Em um deles houve “quebra-quebra” na Praça Sete e a prisão de nove pessoas.
 
No protesto da quarta, os manifestantes ocuparam a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). “Não organizamos o evento de ontem, mas fomos lá para impedir que esses 'infiltrados' levassem o ato para a Praça da Estação e promovessem quebradeira lá, onde estava sendo transmitido o jogo do Brasil”, explicou.
 
De acordo com ele, foi preciso explicar para os manifestantes que aquela não era a imagem que o movimento deveria ter nas ruas e na imprensa. 
 
“Os protestos de ontem e anteontem foram organizados por grupos infiltrados, oportunistas que querem desestabilizar o movimento”, afirmou. Segundo ele, esses grupos não são pulverizados e têm alto grau de organização.
 
“Diferentemente do que alguns veículos têm divulgado, essas badernas e 'quebra-quebra', nada disso é desorganizado. É justamente por isso que a gente está com mais receio desse tipo de comportamento no meio do movimento”, acrescentou. 
 
Matheus aponta alguns membros de partidos ultranacionalistas e grupos neonazistas como autores das articulações para desestabilizar os protestos organizados de forma legítima pelo Compac.
 
“Um grupo neonazista chamado 'Nova Inconfidência' que tem um jornal que exalta o anticomunismo está entre os que querem causar essa desordem. Eles que incitaram temas como impeachment da Dilma e outros que não têm nada a ver com a bandeira que estamos levantando”, disse. 
 
De acordo com Malta, como os encontros são organizados pelo Facebook, há quem não saiba identificar quais eventos são legítimos e quais são criados por infiltrados. “Quem vai para a rua consegue ver claramente a diferença. As pessoas reconhecem a nossa bandeira, o foco, a noção de rumo, mas pelo Facebook não há como perceber essa diferenciação”, expôs. 
 
Veja abaixo a relação de propostas que devem ser apresentadas aos representantes políticos: 
 
Ao prefeito:
 
- Início imediato do planejamento e obra de ampliação do Metrô-BH
- Início imediato do planejamento e obras contra enchentes em período de chuva
- Explicações sobre o BRT; quais são as melhorias pra cidade? Porque demora tanto? Qual a explicação para o péssimo planejamento que levou a desmanchar trechos prontos?
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS.
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública
- Aumento do salário dos professores
- Investimento na infraestrutura das escolas municipais
- Investimento em programas de educação extracurriculares
- Desprivatização do Transporte Público
- Diminuição da passagem do ônibus
- Oposição oficial de BH contra a PEC37
- Oposição oficial de BH contra o Estatuto do Nasciturno
- Oposição oficial de BH contra qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Transparência máxima sobre os gastos públicos
 
Ao governador:
 
- Ajuda monetária às cidades para investimento em Saúde e Educação
- Pressão sobre que o prefeito de Belo Horizonte cumpra nossas exigências
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS em toda Minas Gerais
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública em toda Minas Gerais
- Investimento na infraestrutura das escolas estaduais em MG
- Investimento em programas de educação extracurriculares em MG
- Oposição oficial de MG contra a PEC37
- Oposição oficial de MG contra o Estatuto do Nasciturno
- Oposição oficial de MG contra qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Oposição oficial de MG contra a violência em manifestações
- Transparência máxima sobre os gastos públicos
 
À presidente:
 
- Pressão sobre que nosso prefeito e governador cumpram nossas exigências
- Liberação de verba pra que os estados e municípios cumpram nossas exigências com maior efeito
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS.
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública
- Investimento na infraestrutura das escolas federais
- Anulação completa da PEC37
- Anulação completa do Estatuto do Nasciturno
- Anulação completa de qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Posicionamento claro sobre as manifestações e as respostas policiais
- Explicação sobre os gastos exorbitantes com a copa do mundo, em detrimento de problemas sociais gritantes e antigos
- Formulação de leis anticorrupção e penas muito mais severas aos corruptos
- Transparência máxima sobre os gastos públicos
 
Dizem que não existe espaço para a conversa por falta de um líder, um representante. Não tem conversa, temos exigências, façam essa mensagem chegar a nossos ditos “líderes políticos”.