Pelo menos nove crianças ou adolescentes são vítimas, por dia, de crimes relacionados à pedofilia em Minas. Só nos três primeiros meses deste ano, 844 menores de idade foram abusados. Os responsáveis pelos ataques, muitas vezes, estão acima de qualquer suspeita, destacam autoridades. 

Uma megaoperação desencadeada ontem apontou pessoas com diploma universitário, servidores públicos e até pais de família escondidos atrás da tela de computadores com farto conteúdo de pornografia infantil. Na ação de combate à exploração e abuso sexual, 130 suspeitos foram presos no país, 20 deles no território mineiro.

Só no Estado foram cumpridos 68 mandados de busca e apreensão em 32 municípios. O homem mais procurado pela força-tarefa foi detido em Uberlândia, no Triângulo. O advogado de 26 anos foi flagrado com 750 mil arquivos de pornografia infantil. A perícia levou mais de 12 horas só para baixar os conteúdos.

Em Belo Horizonte, foram nove prisões. Dentre elas, a de um jovem de 33 anos, que era reincidente. O rapaz cumpria pena de quatro anos, em regime aberto, pelo mesmo ato de perversão. Além de fotos e vídeos em computadores, os detidos tinham materiais armazenados em pen drives, tablets e celulares.

Em Sete Lagoas, na região Central do Estado, foram apreendidos dois computadores e dois cadernos de anotações na casa de um suspeito no bairro Nossa Senhora das Graças. O alvo da investigação não foi encontrado, pois estaria trabalhando na zona rural de uma cidade próxima.

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes; ações de conscientização estão previstas em várias cidades, como em BH, onde ocorre uma intervenção no Parque Municipal

Operação

Realizada pela segunda vez, a operação Luz da Infância foi coordenada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública. Segundo o superintendente da Polícia Civil em Minas, Carlos Capristrano, há possibilidade de existir uma rede de compartilhamento nacional e até internacional do material. As investigações vão apontar se os suspeitos usavam os conteúdos para satisfação sexual ou como forma de agenciar crianças e adolescentes. 

Coordenador de Operações da Superintendência de Investigação de Polícia Judiciária, Matheus Cobucci diz que a corporação tem tecnologia capaz de identificar os pedófilos e a localização deles. “Nossos programas também encontram arquivos deletados e palavras-chave usadas na navegação”.

Conforme a Polícia Civil, durante a abordagem algumas pessoas se mostraram resistentes em entregar dispositivos e senhas, enquanto outras confessaram o crime. Mesmo sem dar detalhes, os policiais disseram que as imagens são “muito chocantes”. A punição para quem foi detido varia conforme a forma de exploração cometida, mas a pena pode chegar a oito anos de cadeia.