Elas estão ganhando espaço nas ruas de Belo Horizonte. A quantidade de mulheres pedalando na capital triplicou neste ano com relação a 2010. Apesar de, em números absolutos, o aumento ser tímido, já é comemorado por quem sabe a importância dessa mudança.

“É uma conquista, apesar da quantidade ser ainda baixa. De qualquer forma, é mais uma ferramenta de empoderamento feminino que deve ser valorizada. O que precisamos é entender o que ainda afasta as ciclistas das ruas e tomar medidas para mudar ainda mais este cenário”, avalia Carlos Edward Campos, integrante da Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo).

No total de sete pontos pesquisados, foram contados 1.962 ciclistas circulando pela cidade, sendo 135 (6,88%) identificados como mulheres e 1.827 (93,12%) como homens

Levantamento feito pela entidade mostrou que, em 2010, as mulheres representavam 2,3% dos ciclistas da capital. Neste ano, o número passou para 6,8%, o que representa um aumento de 192%. A designer gráfica Bruna Caldeira, de 32 anos, adotou o novo meio de transporte há pouco mais de um ano e, desde então, contabilizou ganhos ao longo do caminho.

“Antes andava de ônibus ou táxi e sempre fui contra a essa quantidade de carros nas ruas, por isso resolvi optar pela bicicleta. Além de economizar, ainda ganhei qualidade de vida e aumentei muito meu círculo de amizades”, relata a ciclista.

Apesar de reconhecer os pontos positivos, a jovem observa gargalos que ainda impedem que a adesão ao meio de transporte seja ainda maior. “A gente vê que falta investimento nessa área, muitas vezes vamos para a rua na cara e na coragem porque, além de não haver a quantidade de ciclovias suficientes, ainda não há uma cultura de respeito ao compartilhamento de espaço nas vias da cidade”, afirma Bruna.

Prioridade

Para o integrante da BH emCiclo, o que falta mesmo é vontade dos governantes para um investimento mais pesado neste sentido. “Não se trata de uma questão de recursos, porque eles existem mas são usados para priorizar políticas voltadas para a construção e melhorias de estruturas para veículos. O que precisamos é de uma mudança de prioridade”, ressalta Campos.

A quantidade total de ciclistas na cidade, levando em conta homens e mulheres, subiu 7% neste mesmo intervalo de tempo. As pesquisas foram realizadas em sete locais distintos da cidade, em vias que apresentavam diferentes estruturas cicloviárias ou mesmo a ausência delas.

BH tem hoje 85 quilômetros de ciclovias e a meta é chegar a 411 quilômetros em 2020. Isso significa construir, em média, mais de 80 quilômetros de ciclovias por ano. Em nota, a BHTrans informou que trabalha para atingir a meta de implantação dessas rotas e que a expectativa é a de que 6% de todos os deslocamentos da capital se deem por meio do uso da bicicleta em 2020.

A BHTrans ainda afirmou que “o cronograma de execuções de ações do Programa Pedala BH passou por ajustes devido aos seguintes fatores: processo de discussão com a comunidade e com comerciantes sobre as definições de rotas e captação de recursos junto aos órgãos públicos nacionais e internacionais, a exemplo do Banco Mundial e Ministério das Cidades”.