“Chico Buarque” soltou a voz ao cantar as marchinhas, “Ivete Sangalo” sensualizou no desfile, “Pedrita” pulou de alegria e “Jack Sparrow” mostrou que tem samba no pé. Sem falar na farra feita por fadas, anjos, super-heróis e demônios que dividiram espaço com foliões mais discretos, de chinelo de dedo e colar de flores.

Se muitos abusaram da criatividade e capricharam nas fantasias para brincar o Carnaval de Belo Horizonte, outros optaram por adereços mais simples. A maioria, porém, aprovou com salva de palmas o reinado de Momo na capital.

Sinônimo de diversidade, a festa belo-horizontina está na boca do povo. Muitos estão falando, e bem, da folia. Pesquisa feita pela Belotur na mídia e em redes sociais com 1.438 citações ao Carnaval da capital mineira mostrou que mais de 91,3% demonstraram “satisfação plena com a festa, que tomou conta das ruas”.

“Óbvio que queremos tirar nota 10, mas as reclamações foram de baixíssima gravidade, fáceis de contornar, e atendemos prontamente todas as notificações”, avalia a presidente da Belotur, Cláudia Pedrozo.

Mesmo sem a consolidação dos dados oficiais, é possível afirmar que a festa deste ano recebeu mais foliões que nos anteriores, segundo ela. A projeção inicial era de 1,6 milhão de pessoas nas ruas – 100 mil a mais do que em 2015. O número de turistas também cresceu.

“Oficialmente, não temos a informação exata, mas pelas entrevistas verificamos muitos foliões vindos até de Salvador em busca de um Carnaval alegre, divertido e tranquilo. Também recebemos mais pessoas de São Paulo”, diz. Entretanto, a maior parte dos visitantes continua sendo das cidades próximas, especialmente pelo cancelamento ou redução da festa nos 27 municípios da região metropolitana.

Por toda parte

E a folia não se concentrou apenas na região Centro-Sul da cidade. Segundo Cláudia Pedrozo, 32% dos blocos desfilaram fora deste eixo. “Tivemos uma melhor distribuição dos blocos no espaço urbano. Isso é bacana, desejamos que volte a ocorrer. Há uma valorização da realidade local, geograficamente conseguimos uma distribuição da oferta cultural e a festa é para todos”, destaca.

Na avaliação da presidente da Belotur, o Carnaval de BH se consolidou como uma festa de paz, familiar e tranquila. “É algo diferente do experimentado em outros grandes centros”, diz.

O capitão Flávio Santiago, chefe da assessoria de imprensa da Polícia Militar, confirma. Segundo ele, durante a folia foram registradas ocorrências corriqueiras, mas sem gravidade. “Apesar do trabalho dobrado da PM, conseguimos manter sob controle, com muita paz e harmonia”.

Irreverência

Com muita irreverência, os foliões fecharam nessa terça (9) a maratona de desfiles iniciada na última sexta-feira. E nem de longe pareciam estar de ressaca. Quem compareceu mostrou a mesma animação do primeiro dia.

Cerca de 30 bloquinhos se apresentaram. O Juventude Bronzeada, no bairro Floresta, e o Bloco do Peixoto, no Santa Efigênia, foram os mais movimentados. Este último chegou ao oitavo ano ininterrupto nas ruas.