Descontos em contracheques com valores relativamente baixos para não levar suspeitas. Esta era a estratégia utilizada por um grupo de estelionatários que aplicavam golpes em servidores públicos em todo o país. Nesta terça-feira (14), a Polícia Federal montou uma operação em Ribeirão das Neves e prendeu cinco pessoas da mesma família suspeitas de criarem falsas associações e promoverem descontos nos contracheques de funcionários públicos sem autorização. Outras três pessoas seguem foragidas.

As investigações começaram em 2015, depois que dois professores da rede federal de ensino da Bahia descobriram descontos irregulares nos contracheques. “As vítimas perceberam esses descontos sem autorização e identificaram as supostas associações com sede fantasma em Minas Gerais e denunciaram o fato a polícia”, explica o delegado da Polícia Federal Cristiano Ladeira.

Para não levantarem suspeitas, os descontos tinham valores pequenos, entre R$ 10 a R$ 110 mensais. Ainda conforme as investigações, todos os suspeitos moravam em Ribeirão das Neves, na Grande BH, mas declaravam como sede das associações a região Centro-Oeste de Minas. “O grupo utilizava como endereço fictício de sede das associações a cidade de Pará de Minas. Em depoimento, o bando nega a fraude e declara que fazem parte de uma corretora de seguros, porém não esclarecem como conseguiam os dados dos servidores para promoverem os descontos fraudulentos”, detalha o delegado.

A suspeita da Polícia Federal é a de que o grupo teria ajuda de servidores públicos para terem acesso aos dados dos funcionários públicos lesados. Ainda de acordo com a corporação, a quadrilha tinha um faturamento mensal de R$ 150 mil.

O grupo é suspeito de criar, pelo menos, quatro associações fantasmas e agir há oito anos. “Durante a investigação identificamos várias associações que utilizam da mesma prática de desconto em contracheques dos funcionários públicos sem autorização. O servidor deve ficar atento e qualquer desconto indevido deve procurar a polícia”, alerta o delegado. Ainda durante a operação, a polícia apreendeu documentos e vários computadores com dados de servidores públicos.

Segundo o delegado, a suspeita é a de que o grupo tenha lesado servidores públicos federais, estaduais e municipais. Os cinco detidos estão presos de forma temporária, podendo ser prorrogado o pedido de prisão. Eles responderão por crimes de estelionato, fraude e lavagem de dinheiros. As penas, segundo a PF, podem chegar a mais de 20 anos de prisão.