A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), no Sul do estado, descobriu uma fraude que pode gerar grande prejuízo aos cafeicultores: proprietários de maquinário itinerante beneficiador dos grãos estão adulterando os equipamentos e chegam a desviar até 10% do café limpo para uma espécie compartimento oculto. Em uma semana, 32 máquinas foram apreendidas, com suspeita de terem sido modificadas.

Até o momento, foram realizadas operações nos municípios de Machado, onde foram recolhidas sete máquinas utilizadas no processo de limpeza dos grãos, em Serrania, Muzambinho, Alterosa, Nova Resende, Botelhos e São Pedro da União. 

Os equipamentos estão sendo periciados para confirmar a fraude. Para se ter uma ideia, em um sítio na zona rural de Machado, do compartimento adulterado de uma das máquinas foram retiradas dez sacas de café, o correspondente a 600 quilos. 

De acordo com o Chefe do Departamento de Polícia Civil em Poços de Caldas, Bráulio Stivanin Junior, no trabalho das equipes de investigação são utilizadas ferramentas de inteligência e diligências em campo para desarticular o esquema criminoso.  

“Estamos apreendendo as máquinas com suspeita de adulteração e buscando identificar todos os envolvidos. Temos aqui configurado o furto qualificado, cometido mediante fraude, e consideramos também a hipótese de haver uma organização criminosa com atuação na nossa região e também em São Paulo, especialmente na cidade de Franca”, conta o delegado.

A suspeita surgiu no fim da safra passada, quando o Ministério Público, em Muzambinho, requisitou à PCMG que fosse aberta uma investigação. De acordo com o delegado Adnan Cassiano Grava, como a produção estava finalizada, naquele momento foram realizados levantamentos de fazendas produtoras, prestadores de serviços de beneficiamento, oficinas de máquinas, entre outros dados. 

O trabalho investigativo foi intensificado a partir do último mês de junho, no início do novo período de colheita. “Dessa forma, conseguiríamos flagrar a fraude, ou seja, encontrar o café furtado ainda nas máquinas”, observa. 

Os primeiros trabalhos, iniciados em Muzambinho, resultaram na apreensão das seis máquinas com suspeita de fraude. Os policiais civis, ainda, localizaram 27 sacas de café subtraídas e que estavam divididas nos compartimentos de dois equipamentos. 

A partir dessa operação, foram desencadeadas as demais apreensões em propriedades rurais da região. “Descobrimos ramificações em outras cidades e fizemos contato com as respectivas equipes para combatermos de forma integrada esse crime”, conta o delegado. 

Até o momento, foram encontradas cerca de 600 sacas, o correspondente a 36 mil quilos de café beneficiado de origem ilícita. Somente em Muzambinho, foram apreendidas 206 sacas furtadas de uma propriedade de Poços de Caldas e também um caminhão subtraído de São Pedro da União, que estava com placa de outro veículo. 

Toda a carga apreendida será depositada em Juízo. Considerando que o valor médio é de R$ 480 por saco, o prejuízo chega a cifras significativas: R$ 288 mil. “Temos muitos produtores na região, inclusive de pequenas propriedades, e qualquer desvio causa grande impacto na sua renda anual”, observa o chefe do departamento. 

* Com PCMG