Um policial civil matou a ex-namorada e tentou se suicidar em seguida dentro da Câmara Municipal de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira (16). A vítima teria reportado à Câmara que estava recebendo ameaças de morte do ex-companheiro. 

O escrivão Cláudio Roberto Weichert Passos, lotado em Betim, entrou na Câmara por volta das 9h e seguiu até gabinete do vereador Jerson Braga, o Caxicó (PPS), onde atirou quatro vezes contra a assessora parlamentar Ludimila Leandro Braga, de 27 anos. Em seguida, o homem atirou contra si mesmo. Ela morreu no local e o policial foi socorrido pelo Serviço de Assistência Móvel de Urgência (Samu) inicialmente e depois levado pelo helicóptero Arcanjo, do Corpo de Bombeiros, até o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dele. 

Uma testemunha contou que ouviu os tiros dentro da Câmara e saiu correndo do local, quando avistou uma viatura nas proximidades. Uma policial logo chamou reforços e, em menos de dez minutos após os disparos, a PM já estava presente no edifício, que foi evacuado rapidamente. Todo o entorno foi cercado. 

De acordo com uma amiga da vítima, que preferiu não se identificar, Ludimila tinha duas filhas, de 3 e 6 anos, era separada, e havia namorado Cláudio por cerca de um ano. Há um mês, os dois haviam se separado e o policial não aceitava o término. A vítima estaria vivendo um processo de reconciliação com o ex-marido, pai das filhas. 

Familiares e amigos da vítima compareceram à porta da Câmara e demonstraram revolta sobre o homicídio. 

Segurança

De acordo com o vereador Leo Motta (PSL), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara de Contagem, os detectores de metal estavam sendo instalados e, por isso, o policial entrou armado no local. "A Câmara está apurando os fatos e vai checar as imagens do circuito interno de segurança", disse. Segundo ele, os vídeos já foram coletados e estão sendo analisados pela Polícia Civil.

A secretária de Desenvolvimento Social de Contagem, Luzia Ferreira, contou que conhecia Ludimila e que está aterrorizada com o crime. "Ela era muito querida por todos na Câmara. Sabíamos que ela estava vivendo um processo de separação".

Segundo uma fonte da Polícia Civil que preferiu não se identificar, Cláudio havia sido afastado recentemente por problemas psiquátricos. Ele tem um filho de 7 anos e era considerado um profissional exemplar na Delegacia de Plantão de Betim.

Investigação

Por meio de nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que todas as providências cabíveis quanto ao crime, atribuído a um policial civil, já estão sendo tomadas. As investigações se iniciaram imediatamente após o fato e estão sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios em Contagem. Informa ainda que, em momento oportuno, os resultados da investigação serão repassados à imprensa e que os trabalhos investigativos estão sendo acompanhados pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil.

A Câmara Municipal de Contagem decretou luto de três dias e seu expediente está suspenso nesta quarta-feira (16). Por meio de nota, a casa informa que "o Legislativo de Contagem se solidariza com a família e oferece todo o apoio". A Prefeitura de Contagem também se manifestou sobre o assassinato de Ludimila: "Com muito pesar, recebemos a notícia do brutal assassinato da servidora Ludimila Leandro Braga, na manhã desta quarta-feira, dentro das dependências da Câmara Municipal de Contagem. A violência contra a mulher, infelizmente, é recorrente no Brasil e um dos temas que mais nos preocupa", diz a nota.

A Prefeitura de Contagem afirma se colocar à disposição para ajudar a família e as investigações no que for possível e termina a nota com um "Até quando?", fazendo uma referência aos crimes recorrentes contra as mulheres. 

O vereador Caxicó, que empregava a vítima como assessora parlamentar, se manifestou sobre o crime pelo Facebook. Confira a nota:

Outro caso

Este é o segundo caso de homicídio desta semana envolvendo um policial civil. Na terça (15), um policial de 40 anos matou uma mulher e as duas filhas dela, uma de 15 anos e outra de 18, e em seguida se suicidou, no bairro Monte Carlo, em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A outra filha da mulher, de 20 anos, e o padrasto conseguiram escapar do crime.

O policial estava preso desde julho do ano passado na Casa de Custódia da Polícia Civil, na capital, acusado de ter abusado sexualmente das duas jovens que foram assassinadas. Ele foi condenado a uma sentença de 31 anos, nessa segunda-feira (14). Inconformado, o autor foi até a casa do ex-sogro, um policial aposentado, pegou uma arma de fogo e foi em direção à casa das jovens para matá-las.

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