O professor da Faculdade de Medicina da UFMG Antônio Leite Alves Radicchi, de 63 anos, morreu após ser esfaqueado dentro de um ônibus, na manhã desta segunda-feira (13), no bairro São Cristóvão, região Noroeste de Belo Horizonte. O professor estava dentro de um veículo da linha 9805 (Santa Efigênia/Renascença) quando foi agredido por um homem que queria roubar sua mochila. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Odilon Behrens pelo motorista do ônibus, mas morreu cerca de seis horas depois. Um suspeito e a mulher que o acompanhava foram presos.

Radicchi era professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da UFMG e fazia parte do corpo docente da universidade desde 1982. Era membro do Conselho Diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da universidade e professor do internato rural da Escola de Medicina. Também foi fundador e coordenador do Manuelzão, projeto que visa a revitalização da bacia do Rio das Velhas. 

"Ele era uma pessoa extremamente pacífica, não entendo essa violência", afirma Antônio Thomaz Matta Machado, chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Social da UFMG. "Era um sanitarista, uma pessoa muito simples e humilde. Todo dia ele pegava esse ônibus para sair de casa, no bairo Concórdia, até a Escola de Medicina. O Antônio era esperado para uma banca de qualificação de mestrado, marcada para 9h, mas não apareceu", relata.

Segundo Matta Machado, ironicamente, Radicchi era professor do curso de mestrado profissional intitulado "Promoção da Saúde e Prevenção à Violência".  

Dez facadas

O motorista do ônibus contou à Polícia Militar que a vítima estava sentada na parte da frente do veículo quando um homem de 26 anos e uma mulher de 27 entraram. Logo e seguida, o suspeito e o professor começaram a discutir. No momento em que o veículo passava pela rua Tamboril, no bairro São Cristóvão, o jovem esfaqueou Radicchi cerca de dez vezes e tomou a mochila da vítima. O casal fugiu do ônibus em direção ao bairro Concórdia.

O professor foi levado imediatamente para o Hospital Odilon Behrens, mas demorou ser identificado, pois os documentos deviam estar na mochila roubada. Uma pessoa do hospital o reconheceu como professor da Escola de Medicina.

A Polícia Militar foi acionada e fez rastreamento pela região, localizando o casal suspeito na rua. O homem de 26 anos assumiu o crime e contou que havia se desentendido no passado com a vítima. Os familiares do professor, porém, contestam a versão.

Os policiais não conseguiram encontrar a mochila e a arma do crime. O casal foi encaminhado à Central de Flagrantes da Polícia Civil 1.  

rua tamboril

O crime aconteceu quando o ônibus passava pela rua Tamboril