Representantes dos professores da educação infantil vão se reunir hoje, às 14h, com o prefeito Alexandre Kalil para discutir o plano de carreira da categoria. As aulas em toda a rede, que devem acontecer normalmente, voltam a ser suspensas amanhã, quando os servidores farão nova assembleia para definir se aceitam a proposta apresentada no encontro. Uma das principais preocupações é com a reposição das aulas, que ainda não foi definida.

Como o prefeito havia condicionado negociar apenas com o fim da greve, que se arrasta há 51 dias, os docentes decidiram parar o movimento temporariamente. “A gente precisa abrir caminhos de suspender um dia para escutar a proposta”, disse a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sindi-Rede), Evangely Rodrigues.

Os servidores pleiteiam que o plano de carreira e o salário dos profissionais da educação infantil sejam equiparados com os de quem trabalha no ensino fundamental. “O que reivindicamos é ter o mesmo direito, pois temos a mesma formação”, afirmou Evangely. 

Segundo o Sindi-Rede, o salário-base de um professor da educação infantil de nível 1, que são os recém-contratados, é de R$ 1.451,93. Já os do ensino fundamental recebem R$ 2.252,42.

Inicialmente, o Executivo havia oferecido um avanço de até três níveis no plano de carreira aos docentes que não tiveram progressão por escolaridade, com ganho salarial de até 15,7%. Não houve acordo e o prefeito apresentou uma contraproposta com avanço de quatro níveis e ganho de 21,5%, mas os professores alegaram que ainda estariam defasados em relação aos demais profissionais.

Proposta do sindicato é utilizar sábados e feriados municipais e nacionais para repor aulas

Reposição

Diante do número de dias parados – a greve é a maior já feita exclusivamente pelos profissionais da educação infantil –, a reposição das aulas lança um alerta. De acordo com o Sindi-Rede, cabe a cada escola definir o que será feito, mas a Secretaria Municipal de Educação (Smed) determina quais dias podem ser usados. 

A proposta do sindicato é utilizar sábados e feriados municipais e nacionais. O total de dias não foi informado. Os recessos de julho e dezembro não estão descartados. Caso a greve se encerre amanhã, a definição deve acontecer em até uma semana. 

Em reunião com vereadores da base na Câmara Municipal, ontem, o prefeito Alexandre Kalil definiu por não cortar o ponto dos professores que aderiram ao movimento, caso eles retornem às aulas até esta sexta-feira. Pelo menos 34% dos servidores da educação municipal infantil estavam de braços cruzados até o início desta semana, conforme levantamento do Sindi-Rede.

(*Colaborou Malú Damázio)