No mundo da prostituição masculina – tabu ainda mais obscuro que a venda de sexo por mulheres e travestis –, a insegurança é uma constante, tanto para quem contrata o serviço quanto para quem o oferece.

Neste ano, um executivo de uma empresa multinacional e um oficial de Justiça foram assassinados por michês na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por outro lado, a “categoria” denuncia a violência sofrida nos pontos de prostituição da cidade: no Barro Preto e no entorno da lagoa da Pampulha.

Na avaliação do chefe do Departamento de Investigações (DI), delegado Wagner Pinto, esse tipo de relacionamento representa ameaça para ambas as partes, por causa da confidencialidade dos encontros. “Em geral, as famílias, tanto dos garotos de programa quanto dos contratantes, desconhecem o envolvimento de um parente nesse tipo de relação”.

Encontro às escuras

Contratar esse tipo de profissional do sexo, afirma o fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, oferece riscos, principalmente, por se tratar de um relacionamento entre homens – considerando-se a força física, a vulnerabilidade de um encontro sem testemunhas e a adulteração da identidade por ambas as partes.

“Não importa se o combinado é feito através da internet, anúncios em jornais ou na rua. Os garotos de programa utilizam codinomes, chips cadastrados em nome de terceiros e perfis em redes sociais também mentirosos”, esclarece Wagner Pinto, acrescentado que, por esses motivos, em caso de crime, a investigação fica comprometida.

O estopim para um desentendimento pode ser a falta do pagamento pelo programa ou decorrer da homofobia. “Muitos garotos de programa não se consideram homossexuais e agridem e até chegam a matar o cliente, seja para praticar latrocínio ou para lavar com o sangue sua consciência pesada”, explica Mott.

A falta de informações sobre os profissionais do sexo é outro entrave. “Não existe um cadastro, um perfil sobre as pessoas que ganham a vida na noite”, diz o delegado-chefe do DI.
 

Respeito e segurança

O assessor da Secretaria Municipal Adjunta de Diretos da Cidadania, Edgar Garcia Maciel, também considera que os risco são inerentes a todos os envolvidos. “Os direitos do cidadão, independentemente da orientação sexual, deveriam ser respeitados”.

A secretaria tem por objetivo lutar contra a discriminação, o preconceito e a violência. “Temos programas que oferecem apoio psicológico, jurídico, além de assistência social a todo segmento, em prol da cidadania dessa comunidade”, afirma Maciel.

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