Mais de um terço dos candidatos aprovados na UFMG neste ano não realizou a matrícula e, consequentemente, abriu espaço para outros estudantes. Do total de 6.279 vagas disponibilizadas, 2.446 (39%) não foram preenchidas na primeira chamada. O índice chama a atenção justamente porque a instituição mineira foi a mais procurada no Brasil por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), dentre as 131 que integram o programa. No total, houve 171.825 inscrições. 

Até o momento, cinco listas extras já foram publicadas. O número de convocados chega a 3.899. 

Apesar de os dados serem representativos, a pró-Reitoria de Graduação da universidade os considera normal, e garante que o fenômeno tem se repetido ao longo dos últimos anos. No entanto, a Federal não revelou quais os percentuais anteriores.

Causas
Na opinião do pró-reitor de Graduação, Ricardo Takahashi, há três causas principais para o alto percentual de candidatos que não se matriculam. 

Uma delas está relacionada aos estudantes do ensino médio que fazem a prova do Enem só para testar conhecimentos, mas não podem entrar na faculdade por não terem diploma da etapa de ensino anterior. Muitos conseguem boas notas e, por isso, são relacionados entre os nomes aprovados no Sisu.

Outro ponto apontado por Takahashi é que, pelas regras do sistema, uma pessoa pode ser convocada, já na primeira chamada, para o curso que ela indicou como segunda opção. “Após a pessoa fazer o registro no curso que ela colocou como segunda opção, surge uma vaga no curso que ela anotou como 1ª opção. Essa pessoa, então, vai para o curso de preferência inicial dela (normalmente na própria UFMG) e desiste da vaga que havia preenchido anteriormente”, explicou. 

De acordo com o professor, a desistência de uma pessoa em um curso causa [/TEXTO]a desistência de outro estudante em uma formação diferente, em uma espécie de efeito cascata. “Esse fenômeno é muito expressivo, uma vez que praticamente todos os candidatos que passam em cursos de alta concorrência na UFMG também concorrem, na 2ª opção, a outro menos concorrido na própria instituição”, argumenta.

Por fim, ele ressalta que em menor proporção ocorrem casos de pessoas que gostariam de estudar na UFMG, mas desistem por razões práticas, como a falta de recursos para mudar de cidade.

Oportunidade
Quem se beneficiou desse grande número de desistências foi Ana Beatriz Silva Gomes, de 17 anos. Egressa da Escola Estadual Professor Leopoldo de Miranda, neste ano ela tentou pela primeira vez entrar na universidade. A aposta foi apenas na UFMG.

Ana ficou atenta às publicações regulares do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) da UFMG e descobriu que foi convocada na 5ª chamada, na última quarta-feira, para o curso de Letras, com início no segundo semestre. 
“Para mim, estudar na UFMG é um sonho realizado, é algo que eu almejava desde o ensino fundamental. Quando eu descobri que havia sido aprovada entrei em estado de choque, depois fiquei extremamente feliz”, relatou.

Candidatos esnobam UFMG