A tragédia ocorrida na creche em Janaúba, no Norte de Minas, na última semana, despertou novamente a atenção da população para as graves consequências das queimaduras. Por isso, o alerta para os cuidados que devem ser tomados com as chamas e os primeiros socorros nesses casos não deve ser apenas dado na época das festas juninas, em função dos fogos de artifício, mas sim durante todo o ano.

As queimaduras são feridas traumáticas e podem ser geradas por diversos agentes: térmicos, químicos, elétricos ou radioativos, conforme a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Essas feridas recebem classificação de acordo com o tamanho e a profundidade e são mensuradas pelo percentual da superfície corporal queimada.

As queimaduras atuam nos tecidos de revestimento do corpo humano, determinando destruição parcial ou total da pele e seus anexos, podendo atingir camadas mais profundas, como tecido celular subcutâneo, músculos, tendões e ossos
Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ)

No caso das crianças e dos adultos atingidos pelo fogo criminoso propagado por líquido inflamável em Janaúba, as queimaduras foram de 3º grau, na maioria. Isso significa, segundo a SBQ, que toda a derme (parte visível da pele) foi acometida, atingindo os tecidos subcutâneos, destruindo nervos e glândulas e, em alguns casos, chegando a destruir músculos e estruturas ósseas. 

Esses tipos de lesão apresentam peculiaridades no tratamento, como a necessidade de enxertos e cirurgias reparadoras feitas de forma sucessiva, já que são deformantes.

“São pacientes extremamente difíceis de serem tratados, porque a pele é o grande anteparo entre o meio interno do ser humano e o mundo de micróbios e bactérias que estão na atmosfera e no ambiente natural”, explica Jecé Brandão, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina.

Dentro de casa

Os pacientes que vieram do Norte de Minas para BH para tratamento no Hospital João XXIII, referência em queimados, são provenientes de um caso isolado. No entanto, a unidade de saúde atende a centenas de vítimas todos os anos e a maioria das queimaduras acontece no ambiente doméstico, podendo ser prevenidas.

O álcool líquido continua sendo, ano após ano, o principal agente causador do problema. O produto oferece riscos de acidentes por queimadura e ingestão, principalmente para crianças e adolescentes. De forma frequente, o João XXIII realiza ações de conscientização para os pais, a fim de que esses acidentes sejam evitados.

“É importante que os pediatras sejam multiplicadores desse conhecimento e tragam para a realidade da promoção de saúde, nas consultas de rotina, a cultura de orientação acerca dos principais acidentes e que eles decorrem das habilidades neuropsicomotoras em desenvolvimento”, ressalta o coordenador da Clínica Pediátrica da unidade de saúde, André Gonçalves Marinho.

(*) Com agências