Um medicamento usado contra a hepatite C pode ser a esperança para o tratamento de pacientes com febre amarela em Belo Horizonte. Um comprimido já está sendo testado no Hospital Eduardo de Menezes, na região do Barreiro.

A informação foi dada ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a apresentação de um novo boletim da doença. Em apenas uma semana, o número de mortes causadas pela enfermidade cresceu quase 70% em Minas, passando de 36 para 61. Outros 16 óbitos são investigados. No total, desde julho de 2017, são 164 casos confirmados e mais 301 em análise.

Mariana, na região Central do Estado, é a cidade com o maior número de ocorrências. Lá, são 21 casos confirmados, sendo seis mortes. Em Nova Lima, na Grande BH, a mesma quantidade de pessoas perdeu a vida. Já na capital mineira foram confirmados seis doentes. Três deles não resistiram e morreram.

O novo medicamento – chamado Sofosbuvir, mas comercializado como Sovald – foi adotado diante da alta letalidade da doença em Minas. Infectologista do Eduardo de Menezes, Dario Brock Ramalho ressalta que o uso do Sovald é mais uma alternativa das que já estão em testes. “Temos feito o uso compassivo, que é quando remédios administrados em doenças parecidas são utilizadas no tratamento de um caso específico”, explicou. 

O médico diz, no entanto, que é cedo para dizer se a fórmula trará efeitos positivos. “Só depois da epidemia é que poderemos medir se isso realmente foi útil. Por agora, percebemos que o que faz diferença é iniciar o tratamento o mais cedo possível”.

83% é a cobertura vacinal contra a febre amarela hoje em Minas Gerais; dos casos confirmados, nenhum deles tinha sido imunizado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde

Mais chances

A infectologista Sílvia Hees aprova a orientação de internar todos os casos suspeitos. “No começo, quase 80% dos doentes morriam. Com o surto, os médicos ficaram mais atentos para qualquer suspeita. Ao internar os pacientes com quadro mais leve, há menos chances de evolução para óbito”. A médica afirma, porém, que o mais importante continua sendo tomar a vacina.

O número de doentes homens e da zona rural ainda preocupam o Estado. Segundo a SES, é “muito difícil alcançar algumas áreas por conta da distância e por serem comunidades isoladas”.

O último boletim epidemiológico indica que cerca de 3,2 milhões de mineiros ainda precisam ser protegidos contra a febre amarela. Apesar de o estoque disponível por aqui ser a metade disso, o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde da SES, Rodrigo Said, afirmou que não há risco de faltar imunização.

“O Ministério da Saúde garantiu que, conforme a necessidade, teremos a vacina para ofertar, e Minas não terá doses fracionadas”, frisou o gestor.
A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde. A imunização é indicada para todas as pessoas acima de nove meses de idade. Quem já recebeu a dose não precisa tomá-la novamente.

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