Os 15 delegados eleitos pela Assembleia Popular Horizontal (APH) que se reuniram com o governador Antonio Anastasia, nesta terça-feira (9), consideraram que o político não foi objetivo nas principais reivindicações exigidas pelo movimento. No entanto, eles reconheceram o compromisso adotado pelo governador. "O importante é que ele assumiu alguns compromissos, mas a luta continua", declarou Gladson Reis, um dos delegados.
 
Conforme Mateus Malta, participante do movimento que levou milhares de pessoas às ruas de Belo Horizonte, Anastasia se comprometeu a atender as reivindicações dos manifestantes, mas os contatos serão feitos com as secretarias das áreas. "Por isso não podemos avaliar se a reunião foi positiva ou não", disse.
 
Durante o encontro, os representantes apresentaram e discutiram 36 propostas nas áreas de eventos, trabalho, saúde, educação, meio ambiente, transporte, segurança, reforma urbana e agrária, arte e cultura levantadas pela APH, grupo que ocupou a Câmara Municipal da capital por sete dias. De imediato, o governador se comprometeu a receber os professores estaduais para discutir as condições de trabalho da classe e o reajuste salarial da categoria. O encontro durou cerca de 3h30.
 
O grupo pediu também que seja investido, imediatamente, 25% dos impostos estaduais e das transferências constitucionais. “Além disso, o governador precisa pegar o piso salarial nacional, que não é praticado em Minas. Os professores precisam disso. Fizeram uma greve de 120 dias e até agora aguardam o novo salário”, disse Isabela Gonçalves Miranda, intregrante da APH.
 
Anastasia também irá receber os feirantes da antiga feira do Mineirinho nesta semana e dar um retorno sobre a situação dos barraqueiros nos próximos dias. "Esperamos o retorno deles (feirantes). Eles fazem parte do processo cultural da cidade", declarou Isabela Gonçalves. Conforme ela, o movimento só levou ao governador as pautas prioritárias de reivindicações. Para Anastasia, a pauta distribuída pelos manifestantes é muito ampla, mas ele garantiu que irá tentar convergir todos as solicitações. “Estamos falando de trabalhadores e familiares. Vou me esforçar para resolver a situação deles o quanto antes. Vamos quebrar a cabeça pra isso”, afirmou o governador.
 
“Me passaram uma lista extensa e vamos trabalhar nela. Algumas coisas como desmilitarização da polícia e revogação da Lei da Copa, não competem ao governo de Minas. Pertencem a uma esfera nacional. Mas vamos debater também. Esse foi mais um diálogo importante de outros que virão”, disse Anastasia. Além disso, um estudo sobre o passe livre e Integração Tarifária da Região Metropolitana foram escolhidos como prioridade para o transporte. O governador deve fazer, ainda, uma proposta de lei para rever a competência do Conselho Estadual de Transporte.
 
Enquanto as exigências eram discutidas, os membros da assembleia chegaram a dizer que o Estado era responsável pela morte do metalúrgico Douglas Henrique, que caiu do viaduto José Alencar, na avenida Antônio Carlos. O governador afirmou que não aceitaria tais acusações. Em seguida prometeu propor à Prefeitura de Belo Horizonte a mudança do nome do viaduto em homenagem ao jovem morto.
 
Assembleia
 
"Vamos manter as mobilizações e os atos de rua, pois só com nossa pressão para que as pautas sejam cumpridas. Minas é um estado que precisa avançar. O poder popular se constrói na rua. A gente tem a perceptiva de que essa transformação politica do povo". Com essa declaração, Mateus Malta informou que a próxima assembleia da APH irá ocorrer no sábado (13), a partir das 14 horas, debaixo do viaduto Santa Tereza. 
 
Antes disso, eles irão participar do ato denominado "Greve Geral", que deve mobilizar milhares de trabalhadores no Centro de BH, na quinta-feira (11).