O que há em comum entre a capital inglesa de 1599 e a cidade mineira de Rio Acima, em pleno século 21? Aparentemente nada, mas o elo está em William Shakespeare (1564-1616), considerado o maior dramaturgo de todos os tempos e autor de Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet e outras comédias, tragédias e dramas históricos.

The Globe, o teatro londrino do qual o bardo foi sócio e onde apresentou algumas peças, será reconstituído tal qual era no município da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Esse será o primeiro edifício idêntico ao original a ser erguido em terras estrangeiras. A iniciativa de recriar o famoso templo em Minas, apontada como uma das mais ambiciosas das artes cênicas em curso no país, começa a sair do papel.

As obras ocuparão 20 mil m2 cedidos por meio de comodato de 20 anos por uma mineradora e serão iniciadas neste mês. Um complexo cultural para atividades educativas e culturais também será construído.

No terreno, mato alto, tijolos quebrados, trilhos corroídos pela ferrugem e um bota-fora clandestino darão lugar à beleza, harmonia, espetáculos e formação de mão de obra, algo nunca visto na história da cidade, que sequer tem teatro ou cinema. Sobreviverão às intervenções apenas a antiga fachada e a imponente chaminé de uma fábrica de beneficiamento de minério.


Entusiasmo

Moradores da cidade de 10 mil habitantes, a 35 quilômetros de Belo Horizonte, estão eufóricos com a chegada do complexo cultural.

Nas praças, na lotérica, na padaria, em bares e outros estabelecimentos comerciais, o assunto é o novo teatro. “É a notícia do momento. Por aqui, só se fala nisso, pois é um orgulho para nós”, afirma a aposentada Geralda Eustáquia dos Santos, de 62 anos de idade.

O tema desperta a atenção até de crianças. Na praça central, ao lado da plataforma da Maria Fumaça, o primeiro contato com uma maquete do teatro, que faz parte do acervo da produtora responsável pela obra, deve ficar para sempre na memória dos meninos Daniel Tiago Germano, de 12 anos, e Ícaro Leonardo Teixeira Pagliarini, de 10. “Legal demais, né?”, diz Daniel. “É muito bacana mesmo”, reforça Ícaro.

Para a moradora Pris-cyla Joviano, a versão brasileira do The Globe não pode ser vista apenas como um novo teatro. “Vai haver oficinas e cursos para a população local e moradores vizinhos. Temos de aproveitar essa oportunidade única”, afirma a mãe de Vitor, que também ficou encantado com a maquete da edificação londrina.

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