A Santa Casa de Belo Horizonte (SCBH) vem enfrentando graves problemas financeiros nos últimos tempos. 40% dos 1.086 leitos já foram fechados nos últimos dois meses e 350 dos 4.700 funcionários entraram em férias coletivas. Para tentar resolver este grave problema, o hospital tem procurado os governos municipal, estadual e federal, na tentativa de conseguir repasses e manter seu funcionamento. 

Por meio da Prefeitura de Belo Horizonte, a SCBH conseguiu um repasse de R$ 4 milhões do Tesouro Municipal, divididos em 4 parcelas, sendo que a primeira, no valor de R$ 1 milhão, estava prevista para ser paga nesta quarta-feira (14). As demais, com o mesmo valor, serão pagas a cada 30 dias.

O Ministério da Saúde publicou, no dia 5 de junho, duas portarias liberando mais R$ 1,2 milhão mensais para a SCBH, cuja previsão de repasse é a partir de agosto. O governo federal também está referenciando a instituição para realizar cirurgias cardíacas pediátricas para pacientes de outros estados. Hoje, segundo a Santa Casa BH, o hospital é a instituição de saúde que mais realiza essa cirurgia no Brasil.

A Secretaria Estadual de Saúde quitou uma dívida de R$ 4,4 milhões, referentes à parte dos valores devidos do Pró-Hosp - programa da própria secretaria que repassa recursos para fortalecimento e melhoria do atendimento em hospitais mineiros - e do Programa Rede Cegonha.

Reunião com Temer

O prefeito Alexandre Kalil (PHS) esteve em Brasília na terça-feira (13), em reunião com o presidente Michel Temer (PMDB) e com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para solicitar novos repasses à saúde. O ministro reiterou a liberação de R$ 14 milhões/ano para o custeio da Santa Casa de BH.

O montante já havia sido anunciado pelo próprio Kalil na semana passada, quando os valores foram publicados em duas portarias – 1.390 e 1.391- no Diário Oficial da União (DOU). A portaria 1.390 trata de R$ 2.394 milhões por ano, que serão divididos em parcelas mensais para tratamento de câncer no hospital. Já a Portaria 1.391 estipula R$ 12 milhões por ano para o reativamento de leitos da Santa Casa, dividido em parcelas mensais. 

"É importante ressaltar que essas liberações não resolverão o problema financeiro da instituição, que continua sofrendo com o atraso dos recursos e com o subfinanciamento dos valores pagos pelo SUS para a realização dos procedimentos e se empenhando para diminuir as despesas. Atualmente, o custo de um leito no hospital é o mais barato de Minas Gerais", afirma Saulo Coelho, provedor da Santa Casa.

Para assegurar um maior equilíbrio financeiro na instituição, a Santa Casa BH e o Centro de Especialidades Médicas estão negociando com a PBH um novo Plano Operativo Anual - POA. Nos próximos dias, espera-se que as tratativas estejam finalizadas e a instituição passe a operar com 930 leitos em vez dos 1.086 atuais. 

"Essa união de forças dos dirigentes da Santa Casa BH com a PBH, os governos estadual e federal, os parlamentares da bancada mineira e a sociedade é fundamental. Só assim será possível salvar o maior hospital de Minas. A direção continua se esforçando para buscar outras soluções para viabilizar o ‘Hospital dos Mineiros’ e espera poder continuar contando com o apoio de todos", completa Saulo Coelho.