Na lista dos desafios enfrentados no Sistema Único de Saúde (SUS), está a necessidade urgente de mudar um comportamento “nocivo” dos próprios pacientes. O de buscar, em qualquer ocasião, atendimento em hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), saturando os serviços de emergência.
 
Para especialistas, a maior parte das doenças poderia ser tratada em unidades básicas, com o acompanhamento do médico da família. Para a professora da faculdade de medicina da UFMG, membro da diretoria da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Eli Iola Gurgel Andrade, é preciso vencer a “falta de confiança” do usuário como relação às unidades básicas de saúde.
 
Ponto que precisa ser trabalhado inclusive entre os médicos, avalia a gerente da Unidade de Referência Secundária (URS) Campos Sales, Érica Alvarenga. “Ainda temos de convencer os colegas de que o paciente deve ter como referência o médico da família”, reforça.
 
Ajustes necessários

 
O consultor em saúde pública Eugênio Vilaça Mendes reconhece a importância de uma atenção primária forte, mas critica a fragmentação do sistema. “Os componentes não se comunicam. O posto de saúde não fala com o laboratório e com o hospital, e isso representa uma ineficiência muito grande”.
 
Mendes explica que esse modelo foi desenvolvido no século passado, quando predominavam na saúde brasileira eventos agudos, como doenças infecciosas, traumas, que podem ser respondidos de uma forma rápida e curável.
 
Agora, num cenário de envelhecimento da população e crescimento da obesidade, há uma predominância, em torno de 70%, de doenças crônicas como diabete e hipertensão. Enfermidades que não respondem ao modelo antigo por demandarem tratamento contínuo.
 
“Nessas condições crônicas, o modelo fragmentado não dá conta. Temos de organizar o sistema numa rede que se comunica, com foco na atenção primária”, afirma Mendes.