A Comissão de Sindicância da UFMG julgou procedentes as suspeitas de fraudes no sistema de cotas raciais contra 34 alunos que ingressaram na instituição em 2017. Os universitários serão alvo de um processo administrativo disciplinar. Ontem, estudantes entregaram um dossiê com os nomes de outras 28 pessoas que podem ter burlado a entrada no curso superior neste ano. 

As apurações sobre a conduta dos 34 suspeitos serão realizadas em sigilo para preservar os supostos envolvidos, informou a Federal. Durante a ação, os graduandos serão ouvidos. Caso sejam constatadas irregularidades, as punições serão definidas de acordo com cada situação.

Segundo denúncias, os alunos teriam garantido vaga na UFMG valendo-se do direito a cotas raciais, mas sem apresentar as características físicas exigidas. Para obter o benefício, são analisados cor de pele, tipo de cabelo, formato dos lábios e outros aspectos fenótipos.

Em 2017, 61 denúncias foram feitas na universidade sobre supostas fraudes no sistema. Dez alunos se desligaram voluntariamente da instituição. Outros 17 tiveram a autodeclaração de pretos, pardos e indígenas validada pela Comissão de Sindicância. O restante foi reprovado.

Ontem, estudantes liderados pelo grupo UFMG Contra Fraudes nas Cotas, composto por cerca de 50 pessoas, fizeram ato em frente à reitoria da Federal, em BH. Além da apuração das possíveis ilegalidades, eles pediram ações para barrar novos casos e de apoio aos negros matriculados. 

Segundo os universitários, 154 denúncias de possíveis fraudadores que ingressaram em 2018 já foram comunicadas. Mas, como conseguiram confirmar só 28 suspeitas, entregaram os nomes para a direção da instituição. Os denunciados estão nos cursos de comunicação social, ciências econômicas, arquitetura, direito, medicina e psicologia.

“Não queremos penalizá-los, mas garantir o direito de outros negros conquistarem uma vaga hoje ocupada por pessoas que se autodeclararam de forma equivocada”, afirma Alexandre Braga, presidente da União das Negras e Negros pela Igualdade e aluno do curso de ciências do estado.<EM>

Apuração

O líder da Comissão de Sindicância e Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis, Rodrigo Ednilson de Jesus, garante que todas as denúncias serão averiguadas. “A suspeita de irregularidade não significa existência de irregularidade. Por isso, é feita uma análise criteriosa”. 

Ele diz que a UFMG vem buscando alternativas para impedir as fraudes, como a criação da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão Social para acompanhar, dentre outras questões, as políticas afirmativas. E afirma que as denúncias são importantes para garantir que as cotas sejam destinadas às pessoas corretas. “Precisamos desse apoio para chegar até quem está fraudando”.