Depois de praticamente erradicar uma série de doenças, Minas apresenta a pior cobertura vacinal da última década. Belo Horizonte não fica atrás: a situação é a mais crítica em 17 anos. 

O cenário expõe o Estado a risco de surtos e motiva ação de grandes proporções nos postos de saúde e escolas mineiras. Até o dia 22, o objetivo é distribuir doses de 14 tipos de vacinas para crianças e sete para adolescentes abaixo de 15 anos.

Em Minas Gerais, além das vacinas distribuídas no país, foram incluídas doses contra febre amarela 

A Campanha Multivacinal foi aberta na segunda-feira, mas o dia D será no próximo sábado. No dia, em BH, 152 centros de saúde, além de sete pontos extras, darão atendimento das 8h às 17h.

Desde segunda, 3.345 crianças foram atendidas nos postos mineiros e receberam 7.504 doses. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) não tem uma estimativa de quantas pessoas serão imunizadas. Mas, nacionalmente, a meta é 47 milhões de crianças e adolescentes. Desse total, 53% já deveriam estar com o cartão de vacinação em dia. 

“Em Minas, todas as vacinas estão abaixo da meta de 95% da cobertura. Isso é grave, mostra um número relevante de pessoas com risco de adoecer”, alerta a diretora epidemiológica da SES, Janaina Fonseca Almeida.

Explosão

A preocupação é confirmada pelo infectologista Carlos Starling. Segundo ele, a falta da imunização faz com que doenças já eliminadas retornem com força total. Neste ano, por exemplo, não há casos de catapora, rubéola e sarampo no Estado. Por outro lado, uma explosão de pacientes com caxumba: 1.883. “A situação pode piorar muito”, afirma. 

Para evitar esse cenário e buscar melhora da cobertura vacinal, a SES irá aplicar as doses em alunos, dentro do ambiente escolar. “Só não serão imunizadas as crianças que apresentarem termo de recusa assinado pelos pais”, ressaltou Janaina. 

Inclusive, a diretora da SES afirma que a falta de informação e de disposição dos pais em levarem crianças e adolescentes aos postos de saúde são fatores que pioram os índices de vacinação. Boatos sobre possíveis efeitos negativos da proteção, difundidos principalmente pela internet, também motivam as famílias a não protegerem os filhos.

Capital

A falta de conscientização também é apontada pela diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de BH, Lúcia Paixão, como empecilho para melhorar a cobertura vacinal. Assim como no Estado, na capital o pior desempenho está na proteção contra o HPV. Especialistas afirmam que falta aos pais a clareza sobre a necessidade de evitar câncer de ânus e pênis nos homens. Nas mulheres, a dose evita tumores malignos no colo do útero. 

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