Um viaduto cedeu e desabou sobre um carro, um ônibus e dois caminhões, na tarde desta quinta-feira (3), na avenida Pedro I, na divisa dos bairros Itapõa e São João Batista, nas regiões da Pampulha e de Venda Nova, em Belo Horizonte. De acordo com Secretaria Estadual de Saúde, duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas em decorrência do acidente.
 
Assista ao vídeo do momento em que o viaduto na avenida Pedro I desabou em Belo Horizonte:
 
 
O desabamento ocorreu na altura do número 427, próximo à Lagoa do Nado. O veículo de passeio e os de carga foram completamente esmagados pelos escombros de quase 800 toneladas. Já o ônibus suplementar, da linha 70, ficou com a frente totalmente destruída. A condutora do coletivo, Hanna Cristina dos Santos, de 24 anos, morreu no local da tragédia.
 
Uma criança de apenas 5 anos, Maria Clara, filha da condutora, está entre as vítimas. Todos os feridos foram socorridos por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados para o Hospital Risoleta Neves.
 
O viaduto será agora partido em blocos do local para retirada de carros e de possíveis vítimas que se encontram entre os escombros. A construção está inserida nos lotes de obras da avenida Pedro I, orçada ao custo de R$ 138,9 milhões, e faz parte do BRT/Move, o sistema de ônibus articulados com pista exclusiva.
 
Resgate
 
Após trabalharem por mais de 6 horas, os Bombeiros conseguiram tirar o carro que estava preso embaixo do viaduto "Batalha dos Guararapes", que desabou na tarde de quinta-feira (3) na avenida Pedro I, no bairro São João Batista, em Belo Horizonte. Após tentarem sem sucesso erguer a estrutura para retirar o veículo, os bombeiros precisaram cavar o caminho pelo asfalto e depois usaram um cabo de aço acoplado em uma das máquinas para puxá-lo. Apenas o  condutor harlys Frederico Moreira do Nascimento estava no veículo. Ele era morador da cidade de Lagoa Santa, na região norte da Grande BH. O helicóptero da corporação está no local caso a vítima seja retirada com vida.

"Fizemos tentativas de retirada do carro com macacos hidráulicos, mas não houve grande movimentação. Agora estamos fazendo o que chamamos de remoção hidráulica. As máquinas perfuram o solo abaixo do carro e usam a água para limpar ", explicou a assessora de imprensa do Corpo de Bombeiros, capitão Jordana de Oliveira. "O trabalho é feito com muito cuidado pq não queremos abalar mais a estrutura", completou.

O viaduto pesa 2.500 toneladas e tem 150 metros de extensão por 3 metros de espessura. Ele ficava situado a 5,5 metros do chão. São 70 homens e três máquinas trabalhando na operação de resgate. Segundo a militar, não há uma mobilização deste porte na corporação desde o grave acidente que matou 69 operários e feriu outros 100, no dia 4 de fevereiro de 1971, quando um pavilhão que estava em construção no Parque de Exposições da Gameleira desabou durante as obras.

Confira a galeria da tragédia em Belo Horizonte:

 
Estrutura
 
Equipes da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e a Defesa Civil Municipal foram ao local do acidente para avaliar os danos. Por precaução, a Polícia Militar retirou operários que trabalhavam no viaduto ao lado do que despencou, já que ele pode ter tido suas estruturas abaladas. Segundo a PM, já foram vistas rachaduras no segundo viaduto.
 
"A Defesa Civil e os bombeiros já vistoriam o conjunto habitacional que fica no entorno para garantir que não foram abalados. Mas os moradores podem nos procurar se necessário", declarou o assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Edgar Estevo da Silva.
 
Ainda conforme o militar, foram solicitados dois guindastes, cada um com capacidade de 600 toneladas, para o trabalho de retirada dos veículos presos embaixo do viaduto. O Exército foi acionado para auxiliar no caso.
 
Após vistoria da Defesa Civil nos prédios ao lado de onde ocorreu a queda do viaduto, a Defesa Civil concluiu que nenhum imóvel foi danificado e com isso nenhuma residência será interditada.
 
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), um comitê composto por técnicos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, da Defesa Civil, da Cowan, empresa responsável pelas obras, e da Consol, empresa responsável pelo projeto, foi imediatamente convocado para fazer um levantamento de todos os dados que envolvem o ocorrido, elaborar um criterioso diagnóstico das causas do acidente e definir as providências que serão tomadas.
 
Este comitê também irá acompanhar de perto o trabalho de perícia e elaboração de laudo técnico por parte das autoridades competentes, fornecendo inclusive todas as informações necessárias para o esclarecimento das causas deste lamentável acidente.
 
Susto
 

Churrasqueiro estava dentro do ônibus suplementar atingido por desabamento de viaduto

Enílson Luiz estava dentro do ônibus no momento da queda do viaduto (Alessandra Mendes/Hoje em Dia)

O chefe de churrasqueiro Enílson Luiz, de 37 anos, estava no ônibus suplementar atingido pela estrutura do viaduto e, emocionado, disse que nasceu de novo. "Geralmente não pego essa linha e tive que pegar hoje para chegar mais rápido ao trabalho. Lembro que tinha acabado de passar uma linha articulada do Move e aí só ouvi a gritaria, pessoas pedindo socorro e saindo pelas janelas e portas", relatou.
 
"Não consigo tirar a cena da cabeça. Foi correria e gritos de 'ai meu Deus' por todo lado. Estou sem reação ate agora". O relato é da atendente Ana Carolina Caetano, de 20 anos, que viu o viaduto cair. Ela trabalha na estação Move Lagoa do Nado e atendia uma usuária quando, por volta das 15h, ouviu o estrondo. Sete pessoas estavam na plataforma, a cerca de 150 metros do viaduto. "Todos foram para fora, eu não consegui sair do lugar. Tem um viaduto do lado da estação e agora está dando medo".
 
Desvio
 
Com a queda do viaduto, a avenida Pedro I está completamente interditada nos dois sentidos, complicando o trânsito em diversas vias de Belo Horizonte (confira rotas alternativas para desviar de trecho onde houve queda de viaduto). A BHTrans, empresa que gerencia o sistema de transporte e o trânsito na capital, fez vários desvios. No momento, há congestionamentos na avenida Cristiano Machado, sobretudo nas imediações do Minas Shopping, com reflexos no Anel Rodoviário, no acesso à avenida Catalão. A avenida Padre Pedro Pinto também tem retenções no fluxo de veículos, assim como a Linha Verde, desde a Cidade Administrativa até o acesso à Pedro I.
 
As opções de desvio repassadas pela empresa são pelas avenidas Cristiano Machado, Portugal e General Olímpio Mourão Filho, de onde saía o viaduto em obras. Ainda conforme a BHTrans, o tráfego para quem se desloca no sentido Venda Nova será feito pelos bairros próximos. 
 
Para quem seguia em direção à Venda Nova, uma das opções é passar pela avenida Portugal e em, seguida, pegar a avenida Doutor Cristiano Guimarães (onde fica a sede do 13º Batalhão da Polícia Militar) e seguir até a avenida Cristiano Machado e a avenida Waldomiro Lobo, conforme a BHTrans. Uma outra possibilidade é pelo viaduto da avenida João Samaha, passando pela rua 12 de outubro e chegando até a Vilarinho. 
 
Já para quem segue em sentido ao Centro da capital, deve-se sair da avenida Pedro I e pegar a Padre Pedro Pinto, próximo ao Hospital Risoleta Neves, pegando em seguida a avenida Cristiano Machado.
 
Interdição
 
Em fevereiro deste ano o viaduto Montese, também na avenida Pedro I, teve que ser interditado após um deslocamento de aproximadamente 30 centímentros. O fluxo de veículos das pistas mistas teve que ser suspenso por uma semana. No local ocorriam obras do Move. Na ocasião, a Sudecap descartou o risco de queda da estrutura.
 
Raio X – Viaduto
 
Nome: Batalha do Guararapes
Localização: Ligava a Avenida General Olímpio Mourão Filho, no Itapoa, às ruas Doutor Álvaro Camargos e Moacyr Froes, no bairro São João Batista, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.
Início: Maio de 2013
Previsão de entrega: Julho de 2014
Construtora responsável: Consórcio Integração – Construtora Cowan S.A. / Delta Construções S.A.
Recursos investidos: Obra fazia parte da Meta 2 das obras do Move Antônio Carlos/Pedro I, no edital 106/10. O viaduto integrava o rol de obras do Lote II da licitação, que totalizava R$ 15.499.752,29. Todo o corredor do sistema Antônio Carlos/Pedro I estava orçado em R$ 460,5 milhões.
 
 
Atualizado às 22h03