Em época de férias escolares e a pouco mais de um mês para o Carnaval, períodos de grande circulação de pessoas no Estado, os mineiros devem redobrar os cuidados para evitar a proliferação da febre amarela. Com 23 casos suspeitos, sendo 14 mortes, e 15 municípios em estado de alerta, o receio é que a contaminação aumente e acabe chegando nas zonas urbanas. Até o momento, todos os casos foram registrados na zona rural.

Por causa dessa possibilidade, a recomendação no momento é que as pessoas evitem ir para os municípios onde o cenário está mais crítico. “Quem planeja ir para esses locais apenas para fins de lazer ou férias, é bom ter bom sendo e esperar passar um tempo. Quem tem que ir para trabalhar ou tem outro tipo de compromisso que não pode adiar, deve se certificar que está imunizado”, afirma a gerente de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, Lúcia Paixão.

A vacina deve ser administrada pelo menos dez dias antes da viagem, para que o efeito seja garantido. Quem tomou duas doses ao longo da vida já está imunizado e não precisa se preocupar. 

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Estoque
De acordo com a PBH, o município recebe uma cota mensal de 24 mil vacinas contra a febre amarela. No momento, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) possui em estoque, 51.700 doses. E, caso seja necessário, o Estado já se dispôs a disponibilizar um número maior de vacinas.

Apesar da preocupação com o período, a gerente da SMS garante que não há motivo para alarde para o Carnaval. “Estão sendo feitas as ações de controle, que incluem a vacinação de urgência na região e esse reforço nos outros locais. Ainda temos um prazo até o Carnaval, e a situação deve estar controlada até lá”, ressalta Lúcia.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas disponibilizou 300 mil doses de vacina contra a febre amarela e outras 150 mil doses já foram solicitadas para o Ministério da Saúde. De acordo com o governo, a quantidade é suficiente mesmo na atual situação de surto da doença. 

As ações estão sendo intensificadas nas 15 cidades que ficam nas regiões de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, Governador Valadares e Manhumirim, no Leste do Estado, e Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, para onde foram emitidos os alertas por causa do risco alto de contaminação pela doença.

Cuidados

Para o infectologista Estevão Urbano, o risco de “importação” do vírus da zona rural para a urbana existe, por isso todos os cuidados devem ser tomados. “A circulação grande de pessoas em um mesmo local é sempre um problema nesse sentido. É fundamental que os moradores se vacinem, porque podem sair de lá, desenvolver o sintoma aqui e transmitir o vírus dentro da cidade por meio do mosquito Aedes aegypti. Apesar desse tipo de situação não ocorrer há décadas, o risco existe”, explica.

Dos 23 casos notificados, 16 já são considerados como prováveis para febre amarela, após exames preliminares. O último caso de febre amarela registrado em Minas, na área rural, foi em 2009, em Ubá. Na área urbana, o último caso registrado no país foi em 1949.

Em comunicado feito ontem pelas redes sociais, o governador de Minas, Fernando Pimentel afirmou que a incidência de febre amarela no estado é grave, mas não é motivo para alarme por parte da população; Pimentel vai realizar um encontro com os prefeitos das regiões afetadas para discutir a situação e medidas 
de combate ao problema

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