A baixa vacinação contra o sarampo preocupa especialistas e autoridades. Nada menos que 5,4 milhões de mineiros não receberam a segunda dose da imunização. O número corresponde à faixa etária de 1 a 29 anos, que tem direito à proteção gratuitamente nos postos de saúde. Sem o reforço, essas pessoas estão vulneráveis à doença.

Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A meta de cobertura preconizada é de 95%, mas não chega a 70% para esse público. Na capital mineira, o índice é praticamente o mesmo. Falta de informação e esquecimento, principalmente dos pais no caso das crianças, são os principais motivos para o problema. 

“À medida que os filhos vão crescendo e diminuindo a quantidade de vacinas e visitas ao pediatra, os pais acabam esquecendo de rever o cartão. Mas também percebemos que muitas pessoas sequer sabem da necessidade das duas doses”, afirma a médica Tânia Maria Maciel, da Sociedade Mineira de Infectologia.

De fácil contágio, o sarampo é transmitido diretamente de uma pessoa para outra por vias respiratórias. A forma mais eficaz e segura para a prevenção é a imunização. “As pessoas precisam entender que se existem duas doses é porque elas são necessárias. Quem tomou apenas uma corre risco, pequeno, mas corre, pois não há garantia de que esteja 100% imune”, afirma o infectologista Alexandre Moura, do Hospital Eduardo de Menezes, no Barreiro.

Risco maior

O alerta contra a enfermidade cresceu ainda mais nas últimas semanas. Conforme o Ministério da Saúde, o país tem surtos em Roraima, com 200 notificações, e no Amazonas, que já tem 265. No Rio de Janeiro dois casos foram confirmados e outros 18 são investigados. São Paulo e Rondônia tiveram um registro e Rio Grande do Sul, seis.

A presença do vírus merece atenção especial. “Se voltou a circular no Brasil, com os deslocamentos das pessoas pelo território, fica mais provável termos outros surtos. A situação preocupa pelo risco de infecção e complicações”, acrescenta o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG Unaí Tupinambás.

Reforço

Sessenta casos suspeitos da doença foram registrados em Minas neste ano, mas todos foram descartados. Dentre as principais ações para reverter a baixa cobertura está a Campanha Nacional de Vacinação, que vai de 6 a 31 de agosto. Além disso, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, será retomada a imunização nas escolas, públicas e privadas, para alcançar crianças e adolescentes.

Em Belo Horizonte, a partir da próxima semana, profissionais da administração municipal irão procurar pelas crianças que ainda não fecharam o esquema de prevenção. Será verificado pelo sistema de cadastro dos posto de saúde aquelas que precisam ser protegidas. Os pais serão acionados por telefone ou visitas dos agentes comunitários.

Pessoas de 30 a 49 anos, que já receberam pelo menos a primeira dose da vacina, não precisam se preocupar. Quem não tomou nenhuma, no entanto, deve comparecer aos postos de saúde para receber uma dose única. Já para os maiores de 50 anos é considerado que a pessoa já teve contato com a doença e não precisa se proteger.

Vale lembrar que a imunização é feita com o vírus vivo enfraquecido. Ela é contraindicada para gestantes, casos suspeitos de sarampo, crianças menores de um ano e quem está com a imunidade baixa.

*Colaborou Bruno Inácio

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