A Indústria da Mineração tem avançado nas áreas de saúde e segurança, em vários países do mundo, mas ainda há obstáculos a serem ultrapassados para conquistar a taxa zero de acidentes de trabalho. Segundo o vice-presidente da Issa Mining, seção de mineração da International Social Security Association, o chileno Cristian Moraga, o acidente de trabalho é um problema social e econômico. "Esses representam uma perda de 4% na economia global por ano", afirmou.

Moranga é um dos convidados da 24ª edição do World Mining Congress (WMC 2016), Congresso Mundial de Mineração, realizado pela primeira vez no Brasil, pelo Instituto Brasileiro de Mineração ( IBRAM). O WMC começou nessa terça-feira (18) e segue até a próxima sexta-feira (21) na cidade do Rio de Janeiro. Moranga participou do painel sobre Saúde e Segurança do Trabalho, no segundo dia do Congresso.

Durante o evento, ele falou sobre os princípios do Vision Zero, programa internacional de Segurança no Trabalho da organização, que pretende zerar o número de mortes por acidente e a incidência de doenças ocupacionais no setor.  A solução, de acordo com o programa, está no investimento em tecnologia mais seguras, em equipamentos e materiais, além da capacitação de pessoal. "É preciso envolver os colaboradores, ouvir suas sugestões. Eles estão na área de risco e podem identificar situações que não foram previstas nas análises", destaca Moranga.

Na Suécia, principal produtor de minério de ferro da Europa, parte dessa ideia para melhorar a segurança já é realidade. Durante painel, a delegação oficial - que reúne representantes do governo sueco, diretores de empresas e acadêmicos - destacou as mudanças que a Indústria da Mineração vem implementando e planejando para os próximos anos, em busca de aumento de segurança e também de maior produtividade, de ações mais sustentáveis e da preservação do Meio Ambiente.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Oscar Stenström, destacou um projeto em fase de implementação de um sistema de internet sem fio nas minas, com tecnologia 5G. E que até o final do ano, começa a funcionar em uma das minas do país. Stenström enfatizou ainda que o sucesso da indústria sueca é uma combinação de ações governamentais, com a participação da iniciativa privada e do setor acadêmico. Agora eles buscam novos parceiros no Brasil.

Outro desafio do setor é o gerenciamento de rejeitos. Michel Julien, vice-presidente de ambiente da Agnico Eagle Mines, falou sobre como o processo é conduzido na empresa e mostrou a evolução do gerenciamento de rejeitos no Canadá após os acidentes com rompimentos de barragem em Obed Coal, em Alberta (outubro de 2013) e em Mount Polley, em British Columbia (agosto de 2014).  

Pierre Gratton, presidente da Associação Mineral do Canadá, afirmou que a entidade reúne 38 mineradoras de diferentes commodities minerais que trabalharam ativamente no desenvolvimento de uma nova diretriz de segurança. O documento já está disponível em francês, inglês e espanhol e em breve, em português por meio de uma parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração - IBRAM.

Ao final os participantes concordaram que o manejo de rejeitos é uma área fundamental para Indústria de Mineração e que todo o setor deve trocar experiências para aumentar a segurança das operações e da comunidade.

Mineração 100% Segura

A Indústria da Mineração foi incluída no Programa 100% Seguro do Serviço Social da Indústria. Com isso, o Sesi vai disponibilizar gratuitamente 50 vídeos sobre a segurança no setor, manutenção de resíduos e trabalho em áreas confinadas.

Os vídeos serão usados como ferramenta de treinamento das equipes para reforçar a saúde e segurança nas mineradoras. E o trabalhador poderá responder perguntas sobre o tema abordado no vídeo. Quem acertar três das cinco questões recebe um certificado de aprendizagem.

A mineração é o segundo setor da economia a ser incluído no 100% Seguro. "Isso mostra todo o comprometimento do Sesi com o desenvolvimento dessa indústria", concluiu o diretor de Operações do Sesi, Marcos Tadeu Siqueira. 

Premiação

O grupo da Puc do Rio Grande do Sul (PUC-RS) ficou em primeiro lugar no Prêmio Universitário Aberje (PUA), realizado nesse segundo dia do World Mining Congress, no Centro de Convenções Sulamerica, no Rio de Janeiro. 

A 6ª edição do PUA, organizada pela Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial (Aberje) e patrocinada pela Vale, convocou estudantes de todo o Brasil para criar um projeto para desmitificar a mineração. O tema era "'A indústria da Mineração é mais do que o quê você vê". Cinco grupos apresentaram seus trabalhos diante de um júri composto por profissionais de comunicação de várias empresas e instituições.

Em segundo lugar ficou o grupo da ECA-SP, em terceiro o da Universidade Federal do Maranhão, em quarto o da UNI-BH e em quinto outro grupo da ECA-SP. 

Os vencedores receberam  um prêmio de R$ 18 mil, divididos entre os três primeiros colocados. E o primeiro lugar também vai fazer uma reportagem no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte. Os cinco finalistas farão ainda uma viagem para conhecer as operações da Vale em Carajás.

Serviço:

World Mining Congress (WMC 2016)
Data: 18 a 21 de outubro de 2016
Local: Centro de Convenções SulAmérica - Rio de Janeiro (RJ)
Informações:www.wmc2016.org.br