Pesquisador em nutrição, cozinheiro, apresentador, palestrante e empresário, mas, acima de tudo, entusiasta e praticante da vida saudável. Mineiro de BH, o chef do programa “Comer Bem, Que Mal Tem” (Sony) compartilha o caminho que o levou a uma rotina mais equilibrada. Aos 35 anos, Flávio Passos diz como construiu hábitos que o ajudaram a ficar de bem com a balança e a superar problemas como um início de cirrose e o déficit de atenção. 

Você diz que cada pessoa tem um talento e que o seu é aprender sobre saúde e inspirar os outros. Comer bem requer aprendizado? Por onde começar?
Acredito ser algo que se aprende e que qualquer um possa assimilar. Infelizmente, nossa grade curricular pouco nos ensina sobre como cultivar a saúde de forma integral, envolvendo alimento, atividade física, contato com a natureza e meditação. É ela a nossa principal riqueza, a base da felicidade, mas ainda pouco valorizada. O início de tudo é estruturar um conhecimento coeso, coletando informações em fontes diversas. Sugiro compreender e depois agir.

Não é raro encontrar quem associe vida saudável a uma rotina entediante e até antissocial. A que você atribui essa percepção?  
É mais fácil não se cuidar. A mente sintetiza uma variedade de desculpas para não fazer o que precisa ser feito. Mas disciplina é o que capacita para moldar a própria vida. Sempre existem os radicais extremistas. Basta peneirá-los do convívio.

Você diz: “faço o que posso para dar ao meu corpo as melhores condições para que manifeste o equilíbrio”. Como colocar isso em prática e tornar prazerosa a rotina saudável?
Conhecimento é a base. Quando entendemos as consequências e o preço de certas escolhas, torna-se mais fácil não fazê-las. Um indivíduo satisfeito, nutrido, consegue dizer não mais facilmente àquilo que não lhe serve. Outro valor do conhecimento é ir além dos mitos. Quando se entende o que é ciência desatualizada, deixa-se de se privar daquilo que é gostoso e também saudável.

Como conquistar os outros cozinhando, com saúde, comida de verdade?
Evite ser radical. Crie algo próximo daquilo que apreciam, introduzindo sabores e ingredientes diferentes. Se você transmitir a ideia de que comer bem é algo restritivo ou ruim, pode fechar a porta. Segundo: capriche na escolha dos ingredientes e na beleza da apresentação. Tempere com amor e criatividade. 

Considerar a alimentação saudável um “remédio” é uma maneira de incluí-la com mais facilidade no dia a dia?
Estilo de vida é o mais importante, é aquilo que você pratica diariamente e que vai te permitir evitar doenças e reverter o que se estabeleceu.

A alimentação o ajudou a se curar das doenças da infância?
A maioria desapareceu ou adormeceu, mas são pontos fracos com os quais terei que conviver a vida toda. Quando saio da linha, elas dão sinal de vida e começam a regressar. São estímulos para eu me manter firme.

Que benefícios dos hábitos saudáveis você vem experimentando desde que modificou a rotina?
Transformei minha saúde de forma revolucionária. Perdi 16 quilos, ganhei força, desenvolvi imunidade inabalável: estou há 12 anos sem tomar remédios de qualquer tipo. Livrei-me de sintomas desagradáveis e corriqueiros, aprendi a comer facilitando o trabalho da minha mente, aumentando foco e produtividade. Durmo e me exercito melhor, sinto melhor a vida.

Projetos atuais e para o futuro?
O programa tem sido grande experiência, especialmente para um mineiro tímido como eu. Meu projeto mais importante são os cursos sobre saúde, nutrição e gastronomia. O “Coma Fora da Caixa” é 100% on-line, completo, que aborda aspectos do cultivo da saúde, apresentando conhecimento e estratégias para vivermos a nossa melhor versão.

Que dicas você dá a quem deseja iniciar essa grande mudança?
A nutrição é um território de muitas possibilidades: desembrulhe menos e descasque mais; a base de uma boa nutrição são legumes e verduras; no geral, comemos muito mais açúcar e carboidratos do que deveríamos. Isso cobra um preço alto; não tenha medo da gordura natural dos alimentos, seu corpo precisa dela; respeite sua individualidade e sensibilidade: aquilo que faz bem para um, pode desequilibrar o outro