No meio da cidade grande, mas com todo o jeitinho do interior. Mais velho que a própria capital mineira, com 161 anos, o Barreiro coleciona histórias e famílias orgulhosas das origens “barreirenses”. Um deles é o empresário Geraldo Mansur Filho, de 62 anos, “nascido” no Barreiro de Baixo e um dos fundadores da Mansur NetImóveis. A história dele com a região começou com o pai, Geraldo, que foi morar por lá no início da década de 1960.

Natural de Amarantina, o patriarca e dois sócios abriram, no Barreiro, um bar e restaurante para atender funcionários da Mannesmann, empresa que havia sido inaugurada há cerca de uma década e que seria responsável pelo expressivo crescimento da região nos anos seguintes.

“Eles serviam café da manhã e da tarde, almoço e janta. Quando meu pai chegou aqui, havia três carros no Barreiro. Um era dele. Tudo isso fez com que ele criasse laços com a região e se tornasse bastante conhecido”, relembra, emocionado, o empresário.

Anos depois, porém, o ramo de negócios da família Mansur mudou. Com visão empreendedora, o pai de Geraldo passou a prestar serviços para uma imobiliária na região. Após a morte do fundador da empresa, os herdeiros deram continuidade aos trabalhos, mas não por muito tempo. “Então meu pai decidiu abrir a própria imobiliária e estamos há 40 anos no mercado”, conta. 

Hoje, Geraldo comanda a empresa ao lado do irmão Antônio Carlos Pedrosa Mansur, do filho Gustavo Stradioto Mansur e do sobrinho Bernardo Mansur.

Lembranças
Mesmo morando em outra região da cidade, Geraldo Mansur não deixa as origens. “Meus amigos falam que eu saí do Barreiro, mas o Barreiro não saiu de mim. Todos os momentos que vivi aqui estão vivos em minha memória. Poucas pessoas tiveram a infância e a juventude que eu e meus irmãos tivemos no Barreiro. Saíamos para pescar, íamos no poção para nadar. As noites dançantes eram bem agradáveis. Não tínhamos violência e as casas tinham muro baixo”, relembra.

Boas recordações também têm a aposentada Dalva Costa Campos, de 77 anos. Natural de Bom Despacho, na região Centro-Oeste de Minas, ela veio para Belo Horizonte com 14 anos. 

Morando na rua Guajajaras, no centro da capital mineira, Dalva se mudou para o Barreiro a fim de que o marido ficasse mais perto da Mannesmann, onde trabalhou. “E gostei da mudança. Lá eu estava no olho do furacão, na efervescência do centro comercial. Mas aqui encontramos qualidade de vida e tranquilidade”, celebra a senhorinha.

Mannesmann atraiu trabalhadores de todos os lugares

Os moradores afirmam: não têm como falar do Barreiro sem fazer referências à Vallourec Mannesmann. Instalada na região na década de 1950, empresa – originariamente Companhia Siderúrgica Mannesmann – atraiu muitas pessoas de outras cidades mineiras e até de fora do Estado em busca de trabalho. 

Especial Barreiro

Companhia Siderúrgica no Barreiro começou a funcionar em 1954 

A pedra fundamental foi lançada em maio de 1952, mas as atividades da usina só começaram dois anos depois. Por causa da empresa, o Barreiro ficou conhecido como um bairro operário.

Um dos funcionários foi Luiz Carlos Nola, de 68 anos. Trabalhou na empresa de 1975 a 1996, como supervisor. Só saiu de lá aposentado. “Como também sou músico, fui o maestro da banda da Mannesmann. Depois que me aposentei, infelizmente a banda acabou”, relembra. 

Há alguns meses, a comunidade foi surpreendida com o anúncio do encerramento de parte da operação da Vallourec Mannesmann no Barreiro. Em março, a empresa desligou um dos alto-fornos e outros dois devem ser fechados gradativamente até 2018.

Em nota, a empresa informou que “a produção de ferro-gusa e de aço será concentrada na usina em Jeceaba (a 124 quilômetros de BH), mas as áreas de produção de tubos de aço sem costura da usina Barreiro, que englobam laminadores e plantas de acabamento, seguirão funcionando normalmente”.