Exercitar a percepção de si mesmo, aprimorando características e atitudes positivas e transformando as negativas por meio do autoconhecimento, é a proposta do eneagrama – espécie de mapa psicoespiritual que ajuda a entender quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Utilizada há milhares de anos, a figura geométrica de nove pontas funciona como um guia em processos terapêuticos, na educação, saúde, espiritualidade e até para o desenvolvimento da liderança e do trabalho em equipe nos ambientes corporativos.

Ao contrário dos mapas astrais, por exemplo, que, geralmente, são construídos por uma segunda pessoa, a metodologia do eneagrama é baseada no autodiagnóstico. “A pessoa precisa se enxergar e compreender-se, tornando conscientes atitudes que, normalmente, nem se dá conta de que está executando”, explica André Machado, trainer do Instituto Eneagrama, presente em mais de 40 cidades brasileiras.

Segundo ele, a figura, que identifica nove tipos de personalidades com base em três diferentes grupos – emocional (tipos 2, 3 e 4), de inteligência racional (5, 6 e 7) e de inteligência prática (1, 8 e 9) – , funciona mais ou menos como um espelho diante de quem faz o “autoexame”. 

Aliado no desenvolvimento

No caso da fisioterapeuta e professora Cláudia Byrro, os reflexos iniciais do diagnóstico foram sentidos na maneira como se enxergava, mas os frutos, colhidos nas relações interpessoais e no ambiente de trabalho. “Quando você se conhece, passa a entender e compreender melhor o outro”, diz a professora, que aprendeu a exercitar a busca por novos caminhos diante de dificuldades com os outros e consigo mesma.

Colega de profissão de Cláudia, o fisioterapeuta Kélvio Luís Martins Silva conheceu a metodologia por meio de um grupo de jovens, há 15 anos. Passou a estudá-la e tornou-se facilitador (como são chamados profissionais que ensinam o método). Para ele, o eneagrama funciona como instrumento de compaixão e favorece o crescimento.

“Vejo como uma poderosa ferramenta de transformação social, que respeita cada pessoa, individualidades e as ligações entre personalidade e essência”, afirma. 

Objetivo é extrair o que há de melhor em cada pessoa

Padre português Domingos Cunha
FACILITADOR E ESCRITOR – Padre português Domingos Cunha dedica-se à evangelização de jovens e ensinamentos do eneagrama

Pode não parecer, mas, na prática, aprender a identificar-se no diagrama é fácil. Um dos métodos possíveis é por meio da leitura. Assim como os cursos, livros permitem definir a personalidade, detectar caminhos para o autoconhecimento e desenvolver a própria essência, o que há de melhor em cada um de nós.

Autor de uma recém-lançada coleção que desvenda o eneagrama, o padre português Domingos Cunha, fundador do Instituto Eneagrama Shalom, diz que o grande segredo é estar receptivo às descobertas. “É importante que a pessoa busque quando já tiver sentido a dor de ser o que é. Quando quiser algo diferente para a própria vida”, reforça.

Cunha é padre da igreja católica e integrante da Comunidade Shalom, com sede em Belo Horizonte, onde viveu por cinco anos, em Fortaleza, no Ceará, onde mora atualmente, e em Portugal, onde nasceu. 

Segundo ele, o primeiro passo da descoberta é a identificação de comportamentos recorrentes, das características predominantes. No caso do tipo 2, por exemplo, a necessidade de agradar ao outro e o anseio por ser amado. 

Na sequência, é importante aprender a conviver com as limitações e dificuldades impostas pelos chamados pontos fracos. Apego e prepotência no exemplo citado acima. 

O objetivo é conseguir extrair o que há de melhor dentro de si mesmo, as características positivas ou essenciais. Criatividade e sensibilidade em pessoas do tipo 4 e lealdade para o tipo 6.

Quatro volumes

A coleção de Domingos Cunha – Eneagrama da Transformação – é composta por quatro livros. “O objetivo é proporcionar uma verdadeira viagem à transição proposta pela metodologia, pelos caminhos do autoconhecimento, do desenvolvimento e transformação pessoal”, afirma.